Complexo militar-industrial dos EUA é considerado lento e ultrapassado, diz analista
Especialista aponta que programas longos e burocracia impedem modernização das Forças Armadas americanas.
O complexo militar-industrial dos Estados Unidos enfrenta dificuldades para fornecer equipamentos modernos às Forças Armadas devido à lentidão e obsolescência de seus processos, afirma o especialista militar Kris Osborn em artigo publicado na revista 19FortyFive.
Segundo Osborn, o desejo do Exército norte-americano de desenvolver tecnologias cada vez mais avançadas tem causado atrasos significativos e falhas em programas que se estendem por longos períodos.
"Além das dificuldades de engenharia, uma base industrial concentrada e uma burocracia avessa ao risco retardaram o desenvolvimento a um ritmo de caracol", afirma Osborn.
O analista destaca que, em praticamente todos os ramos das Forças Armadas dos EUA, o desenvolvimento de novos equipamentos é marcado por atrasos, custos acima do previsto e, frequentemente, entrega de produtos com especificações reduzidas ou compromissos técnicos.
Ele cita exemplos de projetos ambiciosos que fracassaram ou enfrentaram grandes obstáculos, como o contratorpedeiro da classe Zumwalt e o tanque leve M10 Booker. Também menciona a modernização do tanque M1 Abrams SEP v4 e o cancelado programa Future Combat Systems como iniciativas problemáticas.
As elevadas ambições tecnológicas das forças armadas dos EUA têm dificultado a produção em escala e travado o desenvolvimento de grandes projetos, como a entrada em serviço do porta-aviões USS Gerald R. Ford, recentemente utilizado próximo às costas da Venezuela.
O especialista ressalta ainda a forte dependência das forças armadas estadunidenses de componentes eletrônicos comerciais, que evoluem mais rapidamente do que o próprio complexo militar-industrial. Dessa forma, quando um equipamento é finalmente certificado para uso militar, pode já estar defasado ou fora de linha no setor civil.
"Adaptabilidade, abordagem iterativa e velocidade são prioridades no campo de batalha atual, mas o setor de aquisições dos EUA, historicamente, teme ações arriscadas e os contratempos de curto prazo que delas podem resultar", afirmou.
Osborn enfatiza que as dificuldades enfrentadas pelos militares norte-americanos na criação de novas tecnologias vão além de erros de engenharia ou falta de visão estratégica.
Para o especialista, trata-se do reflexo de um sistema criado para uma época em que as ameaças evoluíam lentamente, os orçamentos eram previsíveis e os avanços tecnológicos podiam ser planejados com décadas de antecedência.
Por Sputinik Brasil