ECONOMIA

Galípolo sugere debate sobre necessidade de juros altos para atingir meta de inflação

Presidente do Banco Central destaca alinhamento da meta de inflação com outros países, mas questiona por que Brasil mantém taxas tão elevadas

Publicado em 11/02/2026 às 11:23

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (11) que a meta de inflação de 3% no Brasil está em sintonia com a de países comparáveis, mas ponderou que é fundamental discutir por que o país precisa sustentar juros tão altos para perseguir esse objetivo.

“O que eu acho que realmente precisa ser melhor debatido com a sociedade é por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros, comparativamente aos seus pares, mais elevadas, para, com muito esforço, conseguir fazer uma convergência maior para a meta. Eu acho que esse é o tema”, declarou Galípolo durante a CEO Conference Brasil 2026, promovida pelo BTG Pactual em São Paulo.

Mercado de trabalho

Galípolo avaliou ainda que, apesar de sinais divergentes recentemente, o mercado de trabalho brasileiro permanece bastante apertado. “Estamos com níveis de desemprego historicamente baixos”, observou, acrescentando que as mudanças no mercado de trabalho nacional são provavelmente tanto conjunturais quanto estruturais.

O presidente do BC também ressaltou o baixo ganho de produtividade da economia brasileira, classificando o cenário como um problema estrutural. Ele destacou que os reajustes salariais no país seguem acima da inflação e da produtividade. “Esse é um tema central para ser discutido”, frisou.

“Como é que conseguimos colaborar para um ambiente mais amigável, mais convidativo, para que o investimento privado possa ocorrer e para que esse investimento privado consiga produzir de maneira mais sustentável ganhos de produtividade? É algo que não vai acontecer do dia para a noite. Tem de ter persistência, tem de seguir num processo durante muito tempo. Mas creio que essa é uma agenda central para que a gente consiga não só crescer, mas se desenvolver”, afirmou Galípolo.

Palavra-chave: estabilidade

Galípolo afirmou que a palavra-chave do Banco Central em sua gestão será “estabilidade”, após avanços em agendas como competição, inclusão financeira e tecnologia. “É normal que existam movimentos pendulares, e esses movimentos pendulares não são negações aos movimentos anteriores, eles são complementações aos movimentos anteriores”, explicou. “Agora é um momento que o Banco Central entende que ele precisa calcar e centrar na estabilidade, que é o seu mandato central.”

Indicações para a diretoria do BC

Questionado sobre os nomes sugeridos pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para a diretoria do Banco Central, Galípolo evitou comentar, ressaltando que a escolha é prerrogativa exclusiva do presidente da República. “Mesmo que eu já tenha tido qualquer tipo de conversa com o presidente sobre o tema, eu vou preservar essa conversa com o presidente, justamente para evitar gerar qualquer tipo de ideia de que eu estou extrapolando o que é minha função”, afirmou. “Tenho uma relação excelente com o presidente, tenho uma relação excelente com o ministro Fernando Haddad.”

Na semana passada, Haddad confirmou ter sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva os nomes do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, e do professor da Universidade de Cambridge, Tiago Cavalcanti, para as duas vagas abertas no BC. O mercado criticou a possível indicação de Mello, considerado um economista heterodoxo.

Galípolo ressaltou ser amigo de Mello há 20 anos e manter uma relação “excelente” com o secretário. Sobre Cavalcanti, disse não conhecê-lo, mas destacou que se trata de um “profissional excelente”.