Academia onde mulher morreu em SP é pichada após tragédia na piscina
Unidade segue interditada após morte de professora e hospitalização de outras vítimas; polícia apura responsabilidades.
A academia C4 Gym, localizada na zona leste de São Paulo, foi alvo de pichações com frases como "Justiça", "Salve Severino" e "E agora, quem é o culpado?". O estabelecimento permanece fechado e interditado após a morte da professora Juliana Faustino Basseto, de 27 anos, que passou mal durante uma aula de natação.
Além de Juliana, outras cinco pessoas também se sentiram mal. Entre elas está Vinicius de Oliveira, marido da professora, que permanece internado em estado grave. Um homem, um adolescente e uma mulher também seguem hospitalizados.
Severino da Silva, de 43 anos, responsável pela manutenção da piscina, foi filmado misturando produtos químicos minutos antes do início da aula. Ele prestou depoimento à Polícia Civil no 42º Distrito Policial (São Lucas), relatando que recebia orientações sobre a manipulação dos produtos por mensagens enviadas por um dos donos da academia, sem contato presencial.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Severino realizava medições da água, enviava fotos aos proprietários e recebia instruções sobre quais produtos e quantidades utilizar para a desinfecção da piscina. A advogada de defesa de Severino, Bárbara Bonvicini, afirmou que o funcionário colaborou integralmente com a investigação.
Até o momento, os proprietários da academia não prestaram depoimento à Polícia Civil. Em nota, a C4 Gym lamentou o ocorrido e informou que está prestando apoio às vítimas.
Severino trabalhava há pelo menos três anos na academia como ajudante-geral, acumulando as funções de manutenção da piscina e de manobrista. Conforme apuração policial, ele não possuía formação técnica para o serviço de manutenção.
O funcionário relatou que preparava a mistura dos produtos químicos em um balde, deixando-o próximo à piscina para ser despejado pelos professores ao final das aulas.
A principal linha de investigação aponta para uma possível intoxicação causada pelos produtos químicos misturados e deixados próximos à piscina, em um ambiente fechado e pouco arejado, o que pode ter levado à inalação de gases tóxicos pelos alunos.
Testemunhas relataram forte cheiro químico na água, além de sintomas como queimação nos olhos e episódios de vômito. O delegado Alexandre Bento explicou que a mistura de diferentes tipos de cloro pode gerar reações e liberar gases perigosos, o que pode ter causado a intoxicação e a morte de Juliana.
Severino afirmou ter manipulado apenas cloro no dia do incidente, mas a academia conta com produtos de diferentes graduações e marcas. A polícia aguarda os resultados dos exames necroscópicos, laudos periciais e análises químicas das amostras coletadas no local, além dos relatórios da Vigilância Sanitária e da Subprefeitura de Vila Prudente.
A Subprefeitura interditou a academia por apresentar condições precárias de segurança e pela ausência do Auto de Licença de Funcionamento, já que o estabelecimento opera com dois CNPJs no endereço.
Os donos da academia ainda não foram convocados formalmente para depor, mas, segundo a polícia, devem ser os últimos a serem ouvidos, por serem os principais investigados.