TENSÃO INTERNACIONAL

Busca dos EUA por sistemas fora do Novo START pode definir reação russa, diz analista

Analista russo afirma que movimentos dos EUA sobre armas nucleares podem levar Moscou a rever postura sobre acordo.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 11/02/2026 às 12:57
Analista russo alerta que ações dos EUA fora do Novo START podem levar Moscou a rever sua postura sobre o acordo. CC BY 2.0 / Flickr / US Navy / MC2 Thomas Gooley /

A estrutura tradicional da segurança internacional, baseada em rígidos controles sobre armas convencionais e nucleares, já não existe mais, afirmou Aleksandr Asafov, analista político e membro da Câmara Pública da Rússia. O comentário foi feito em resposta às declarações do chanceler russo Sergei Lavrov na Duma Estatal.

Segundo Asafov, informações de inteligência que apontem tentativas dos Estados Unidos de ampliar rapidamente seus arsenais nucleares, ou de posicionar armas que antes estavam sob o Novo START em países terceiros, "podem ser interpretadas como uma ameaça direta à segurança da Rússia e à estabilidade global". Ele ressalta que esses fatores podem levar Moscou a reavaliar sua posição diante do acordo, conforme declarou à Sputnik.

O chanceler Sergei Lavrov destacou que a Rússia presume a vigência da moratória do Novo START enquanto os EUA respeitarem seus limites. A afirmação foi feita durante sessão do governo na qual o ministro apresentou as prioridades da política externa russa.

Ocidente transforma o direito internacional em instrumento de pressão

"Seja o precedente do Kosovo ou a situação atual com a Groenlândia, os países ocidentais sempre interpretam as normas jurídicas conforme seus interesses hegemônicos", avaliou Asafov.

Lavrov também apontou que, apesar de o direito à autodeterminação ser reconhecido para a Groenlândia, é negado à Crimeia, ao Donbass e às novas regiões da Rússia. Para o chanceler, isso revela uma postura seletiva do Ocidente.

Asafov classificou como "gritante" a hipocrisia ocidental sobre o direito à autodeterminação: ele é defendido quando serve para conter a Rússia, mas ignorado quando contraria interesses ocidentais — um padrão que, segundo ele, tende a se repetir.

Além disso, os EUA estão "ostentando abertamente sua corrida para militarizar o Ártico", destacou o analista, além de criar mecanismos para dificultar a navegação na Rota Marítima do Norte.

Em resposta, Asafov afirmou que a Rússia adotará "movimentos proativos e estratégicos", reforçando sua presença no Ártico diante desses desafios.