OPERAÇÃO POLICIAL

PF investiga aportes do RioPrevidência no Banco Master; suspeito joga mala de dinheiro pela janela

Terceira fase da Operação Barco de Papel apura irregularidades em investimentos do fundo de servidores do Rio em títulos do Banco Master. Durante ação, investigado tentou se desfazer de mala com dinheiro.

Publicado em 11/02/2026 às 12:51
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira, 11, a terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga supostas irregularidades nos aportes do RioPrevidência, fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, em títulos do Banco Master.

Agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão nas cidades de Balneário Camboriú e Itapema, autorizados pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Durante a ação em um apartamento em Balneário Camboriú, os policiais foram surpreendidos quando um dos investigados arremessou pela janela uma mala repleta de dinheiro em espécie. Além da quantia recuperada, a operação resultou na apreensão de dois veículos de luxo e dois smartphones.

Segundo a PF, esta etapa da Operação Barco de Papel foi motivada por indícios de obstrução das investigações e ocultação de provas.

Investimentos suspeitos no Banco Master

O RioPrevidência investiu R$ 970 milhões no Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central e é suspeita de operar créditos sem garantias do FGC, o que pode representar prejuízos para os servidores públicos do Rio.

De acordo com a investigação, as operações foram aprovadas de forma irregular e incompatível com a finalidade do fundo, expondo os servidores a "risco elevado". A PF apura crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução em erro de repartição pública, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.

A primeira fase da investigação envolveu o ex-diretor de investimentos do fundo, Euchério Rodrigues, e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, ambos afastados dos cargos após as suspeitas relacionadas ao caso Master.

Segundo o RioPrevidência, os títulos foram emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034. Atualmente, a autarquia negocia a substituição desses papéis por precatórios federais.

Ex-presidente do fundo é preso

Em 3 de fevereiro, o ex-presidente do RioPrevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso por agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

Deivis deixou a presidência do fundo em 23 de janeiro, logo após a deflagração da primeira fase da Operação Barco de Papel, e viajou para os Estados Unidos poucos dias antes das diligências. Segundo apuração, antes da viagem, ele evitava permanecer em sua residência no Rio de Janeiro e demonstrava preocupação com uma possível ação da PF.

Ao retornar dos Estados Unidos, Deivis desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e pretendia seguir de carro para o Rio de Janeiro. O voo do ex-presidente previa conexão para o Aeroporto do Galeão, mas ele não embarcou, optando por alugar um carro e seguir pela Rodovia Dutra. Em uma ação coordenada, foi preso em Itatiaia, já no estado do Rio, a cerca de 200 quilômetros de São Paulo.

Deivis saiu de Guarulhos por volta das 7h e foi detido às 9h pelas equipes federais.