Ocidente fomenta tensões contra Belarus, aponta especialista
Professor João Cláudio Pitillo avalia que sanções e militarização visam isolar Belarus por sua postura autônoma e alinhamento a Moscou.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o professor João Cláudio Pitillo analisa a relação entre Belarus e o Ocidente e explica por que a OTAN intensifica sua presença militar nos Países Bálticos e na Polônia.
Após encontro com o presidente belarusso, Aleksandr Lukashenko, o ministro da Defesa de Belarus, Viktor Khrenin, alertou para uma “militarização sem precedentes” na Europa e mencionou “planos agressivos” contra Minsk. Segundo Khrenin, essa movimentação envolve mais de 2.200 aeronaves, sendo 130 delas de forças da Polônia e dos Estados Bálticos.
O ministro também relatou a presença de “voos de bombardeiros norte-americanos” e o posicionamento de mísseis de cruzeiro dos EUA em bases na Polônia e Romênia. Khrenin atribui o aumento das “violações da fronteira nacional e do espaço aéreo” de Belarus ao contexto do conflito na Ucrânia.
Quais são os objetivos do Ocidente em relação a Belarus? E quais riscos essa militarização traz à estabilidade regional? No podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, João Cláudio Platenik Pitillo, analista internacional, professor de história e coordenador do projeto Geoestratégia Estudos, discute o tema.
Pitillo destaca que as tensões remontam ao fim da União Soviética, quando Belarus passou a ser rotulada por governos ocidentais como “a última ditadura da Europa” — classificação que o professor rejeita. Para ele, as críticas ao país decorrem de sua recusa em adotar diretrizes liberais do capitalismo e em se alinhar ao anticomunismo e à primazia do capital privado.
“Belarus vem sendo atacada economicamente, com sanções, bloqueios e, principalmente, fomentando a discórdia dos países vizinhos contra Belarus.”
Nesse cenário, o Ocidente utiliza o conflito na Ucrânia como justificativa para “sufocar” Minsk, dificultando o comércio e as relações diplomáticas do país. Também questiona o processo eleitoral belarusso, em linha com estratégias empregadas em outras “revoluções coloridas”.
“A Belarus foi abalada por situações semelhantes às vistas na Ucrânia, Geórgia, Romênia e Moldávia, além dos Estados Bálticos — movimentos que, sob o pretexto democrático, não aceitam processos políticos que os contrariem.”
Pitillo afirma que o governo de Belarus enfrenta há anos pressões de forças externas, setores reacionários e grupos de oposição apoiados por interesses estrangeiros.
Segundo o professor, a animosidade ocidental se acirrou porque Belarus não aderiu ao revisionismo histórico, preservando monumentos soviéticos e mantendo proximidade com Moscou, o BRICS e o socialismo. Isso teria transformado o país em “objeto de fúria” do Ocidente.
Para Pitillo, o reforço militar na fronteira com Belarus é “absurdo” e “desnecessário”, servindo apenas para aumentar a tensão e tentar envolver o país no conflito ucraniano.
“O pior é que esses países usam o escudo da OTAN para provocar situações que possam ampliar o conflito atualmente restrito à Ucrânia.”
Em resposta, Minsk teria buscado dialogar e atuar como mediador entre OTAN e Rússia, apesar das hostilidades.
“Belarus não tem tropas na Ucrânia, nem é parceira da Rússia na guerra. Os ataques ao país são motivados por seu projeto político autônomo, ampliados pelo apoio a Moscou.”