DIPLOMACIA E ENERGIA

Presidente interina da Venezuela recebe secretário de Energia dos EUA para diálogo sobre setor petrolífero

Primeira visita de alto nível após retomada das relações diplomáticas debate novo marco regulatório do petróleo venezuelano.

Publicado em 11/02/2026 às 16:50
Delcy Rodríguez e Chris Wright dialogam sobre novo marco do setor petrolífero no Palácio de Miraflores. © AP Photo / Ariana Cubillos

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, recebeu nesta quarta-feira (11), no Palácio de Miraflores, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright. A visita marca o reinício das relações diplomáticas entre os dois países.

Também participaram do encontro a enviada diplomática dos EUA, Laura Dogu; o presidente da estatal Petróleos de Venezuela, S.A. (PDVSA), Héctor Obregón; e o enviado venezuelano para os EUA, Félix Plascencia.

Rodríguez, anteriormente vice-presidente de Nicolás Maduro, assumiu a presidência interina após a detenção de Maduro. Ela acumula ainda o cargo de ministra dos Hidrocarbonetos.

Esta é a primeira visita de alto nível desde a intervenção militar de 3 de janeiro e o sequestro de Maduro pelo governo de Donald Trump. O encontro ocorre logo após a aprovação da Lei de Reforma de Hidrocarbonetos na Venezuela, que estabelece um novo marco regulatório e redefine as regras de participação no setor petrolífero nacional.

O avanço legislativo coincide com uma reorientação da política externa dos Estados Unidos para a Venezuela, formalizada por dois instrumentos administrativos emitidos pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).

A cientista política e especialista em energia Betzabeth Aldana analisou, em entrevista à Sputnik, a Licença Geral nº 46, emitida em 29 de janeiro de 2025. Segundo ela, a medida representa uma "revisão administrativa cuidadosamente calibrada" que ajusta o marco normativo e redefine as condições para a participação norte-americana em operações petrolíferas venezuelanas, após uma década de restrições.

Já o analista político Víctor Hugo Majano destacou que a Licença Geral nº 47 suspende formalmente "a proibição da venda de diluentes fabricados nos EUA a empresas venezuelanas", incluindo o governo e a PDVSA.

Majano explicou que "essa decisão reverte uma das restrições mais antigas e críticas das sanções econômicas contra a Venezuela", implementadas em 2019 e intensificadas durante a administração anterior dos EUA.

Por Sputnik Brasil