GEOPOLÍTICA

EUA intensificam pressão por alinhamento na América Latina diante de dependência chinesa

Relatório do Instituto de Finanças Internacionais aponta que pragmatismo político e ciclos eleitorais ampliam desafios regionais, enquanto laços com China e EUA moldam estratégias dos países latino-americanos.

Publicado em 11/02/2026 às 18:26
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A pressão dos Estados Unidos para fortalecer o alinhamento político na América Latina tem incentivado uma postura pragmática entre os países da região, que precisam recalibrar continuamente suas estratégias diante da forte dependência econômica da China e dos históricos laços de segurança com Washington. A análise é do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), que divulgou relatório nesta quarta-feira, 11.

Segundo o IIF, a atuação dos EUA no continente tem sido seletiva, e não neutra, o que intensifica o risco político e contribui para a diferenciação dos preços dos ativos latino-americanos. Exemplos dessa abordagem incluem a intervenção militar sem precedentes na Venezuela e o apoio financeiro direcionado à Argentina.

México, Colômbia e países da América Central são apontados pelo relatório como os mais vulneráveis à pressão americana, enquanto Argentina e Chile demonstram alinhamento mais próximo às prioridades de Washington. No Brasil e no Peru, as próximas eleições podem representar oportunidades para fortalecer os laços bilaterais.

O impacto das tarifas mais altas impostas pelos EUA tem sido limitado no Brasil, graças à sua exposição comercial relativamente pequena ao mercado americano, à base exportadora diversificada e à política externa conciliatória, que rendeu ao país importantes isenções. No entanto, as relações bilaterais têm sofrido tensões devido ao escrutínio mais rigoroso dos EUA e à postura ativa do Brasil em defesa do multilateralismo, especialmente no âmbito do BRICS e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

De acordo com o IIF, as prioridades dos Estados Unidos abrem espaço para que países latino-americanos reconstruam sua credibilidade institucional. Aqueles que souberem aproveitar esse engajamento para ampliar opções de financiamento e reforçar a disciplina política poderão captar mais investimentos. Por outro lado, o relatório ressalta que os laços comerciais, de infraestrutura e nos setores críticos com a China tendem a ser difíceis de desfazer.