Corte na importação de gás russo mantém energia cara e instável na União Europeia, admite Bruxelas
Presidente da Comissão Europeia reconhece impacto das restrições ao gás russo nos preços e na competitividade industrial do bloco.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reconheceu nesta quarta-feira (11) que os preços da energia na União Europeia seguem elevados e instáveis, reflexo do aumento no custo das importações de gás, impulsionado pela restrição ao combustível russo.
"Os preços ainda estão muito altos e muito voláteis. E sabemos o motivo. Os preços do gás elevam os preços da energia. Renováveis e energia nuclear reduzem os preços", afirmou von der Leyen durante a Cúpula da Indústria Europeia, em Antuérpia.
Apesar de evitar citar diretamente as sanções à Rússia como fator de alta nos preços do gás e da eletricidade, a dirigente admitiu que a oferta de energia acessível permanece central para manter o bloco europeu atrativo para negócios, especialmente nos setores mais dependentes de energia.
A Associação Europeia do Aço (Eurofer) alertou o Executivo europeu que os preços elevados ameaçam a competitividade econômica do continente e solicitou medidas para reduzir o custo da eletricidade aos níveis anteriores à crise, de 44 euros (R$ 228) por megawatt-hora.
"O aço está no centro da ambição industrial da Europa, mas está sendo prejudicado por preços e custos de eletricidade altíssimos... Reduzir os preços da energia agora é o teste decisivo da credibilidade econômica e climática da Europa", destacou Henrik Adam, presidente da Eurofer.
Segundo a Associação Mundial do Aço (WSA), a União Europeia produziu 126,2 milhões de toneladas de aço em 2025, uma queda de 2,6% em relação a 2024. Já os países europeus fora do bloco fabricaram 42,8 milhões de toneladas, recuo de 0,9% na mesma comparação.
No início de dezembro, a União Europeia decidiu eliminar gradualmente as importações de gás natural liquefeito (GNL) e de gás por gasoduto provenientes da Rússia. A proibição total do GNL russo entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027, enquanto o veto ao gás transportado por gasodutos começará em 1º de novembro de 2027.