GEOPOLÍTICA E MINERAIS ESTRATÉGICOS

Brasil busca protagonismo em terras raras e evita papel secundário em aliança dos EUA

País adota postura autônoma diante de coalizão liderada pelos EUA para garantir acesso a minerais críticos, priorizando soberania sobre suas reservas.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 11/02/2026 às 21:46
Brasil prioriza controle sobre terras raras e adota postura autônoma diante de aliança internacional. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

O Brasil busca protagonismo no setor de terras raras e evita aderir à aliança dos Estados Unidos em posição secundária, segundo avalia o analista de geopolítica Luis Rutledge.

Em meio ao esforço dos EUA para formar uma coalizão global com mais de 50 países, a fim de garantir acesso e definir preços dos minerais críticos, o governo brasileiro optou por enviar apenas um diplomata de baixo escalão à reunião realizada em Washington. A medida sinaliza a postura cautelosa do Brasil diante da iniciativa.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Rutledge destaca que o país enxerga as terras raras como um recurso estratégico para o século XXI, comparável ao papel do petróleo no século passado. Por essa razão, o Brasil busca manter o controle sobre suas riquezas minerais, evitando assumir posição de dependência em relação a outras potências.

“O pleno controle de nossas riquezas minerais é fundamental para as próximas décadas de crescimento da transição energética e gradual diminuição de fontes fósseis”, afirma o especialista.

Rutledge ressalta ainda que, nos últimos anos, Estados Unidos e União Europeia intensificaram esforços para estabelecer acordos com o Brasil, devido às vastas reservas nacionais consideradas essenciais para a transição energética e a autonomia tecnológica.

“Porém, o governo brasileiro entende a urgência de políticas para tratar esses recursos como tema de soberania nacional, buscando reduzir a exportação de matéria-prima e ampliar o processamento interno”, conclui o analista.