'Crise na Groenlândia' pode impulsionar presença da OTAN no Ártico, diz diplomata russo
Embaixador da Rússia alerta para riscos de militarização e instabilidade em região antes marcada pela cooperação.
A Rússia avalia que a chamada 'crise na Groenlândia' pode resultar em um aumento da presença militar da OTAN no Ártico, considerado injustificado por Moscou e potencialmente desestabilizador para a região.
Segundo o embaixador russo em Oslo, Nikolai Korchunov, a situação tende a favorecer a ampliação das atividades militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no Ártico, inclusive com a participação de países não regionais, sem recursos naturais próprios, e direcionadas contra Rússia e China.
"No estágio atual, a 'crise na Groenlândia' está claramente diminuindo, e seu principal resultado será, aparentemente, um aumento da presença militar objetivamente injustificada no Ártico de países da OTAN, incluindo membros não regionais que não possuem recursos naturais próprios, direcionada contra a Rússia e a China", afirmou o diplomata.
Korchunov ressaltou ainda que a concretização desse cenário teria consequências negativas para a segurança e a estabilidade no Ártico, que até recentemente era reconhecido como uma área de baixa tensão e cooperação internacional.
A Groenlândia integra o reino da Dinamarca. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a defender publicamente que a ilha deveria se tornar território norte-americano. As autoridades dinamarquesas e groenlandesas, no entanto, refutaram a ideia e enfatizaram a importância do respeito à integridade territorial da região.