"O barato que sai caro": 94% dos brasileiros sabem que cigarro ilegal financia o crime organizado, aponta pesquisa
Levantamento do Instituto Locomotiva revela que a população associa o contrabando ao aumento da violência; em 2025, PRF apreendeu 350 milhões de maços
Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Locomotiva traz um dado revelador sobre a percepção da violência no Brasil: 94% dos entrevistados acreditam que a venda de cigarros ilegais sustenta diretamente organizações criminosas.
O estudo, encomendado pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), mostra que para 83% da população, as facções lucram com esse comércio, utilizando as mesmas rotas do tráfico de drogas e armas (fronteira com o Paraguai, via Mato Grosso do Sul e Paraná).
Além de financiar a violência, o mercado ilegal sangra os cofres públicos. Dados do Ipec indicam que 32% de todos os cigarros consumidos no país são de origem ilícita.
Isso gerou uma evasão fiscal estimada em R$ 7,2 bilhões apenas em 2024. O mercado clandestino movimenta cerca de R$ 8,8 bilhões por ano.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou que o cigarro foi o produto mais apreendido em 2025, somando mais de 350 milhões de maços retirados de circulação.
A pesquisa também aponta um dilema tributário: 78% dos brasileiros acham que aumentar impostos sobre o produto legal acaba estimulando o crescimento do contrabando.