PLANEJAMENTO ENERGÉTICO

MME lança consulta pública para planos energéticos com R$ 3,5 tri em investimentos até 2035

Planos do Ministério de Minas e Energia preveem expansão significativa em petróleo, gás, eletricidade e biocombustíveis até 2055

Publicado em 12/02/2026 às 12:28
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu nesta quinta-feira, 12, a consulta pública do Plano Nacional de Energia (PNE) 2055 e do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035. Segundo o governo, nos próximos dez anos, a previsão é de R$ 3,5 trilhões em investimentos, com cerca de 80% destinados aos setores de petróleo e gás natural. Energia elétrica e biocombustíveis líquidos devem representar, respectivamente, 17% e 3% desse total.

De acordo com o planejamento decenal, a oferta de energia elétrica deve crescer em 100 gigawatts (GW), com acréscimo de mais de 6 GW em baterias. No mesmo período, estão previstos 29 mil quilômetros de novas linhas de transmissão, produção de 50 bilhões de litros de etanol, 2,8 bilhões de litros de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e o pico da produção de petróleo projetado para 2032. Todas essas metas têm como horizonte o ano de 2035.

O PDE detalha a estimativa da demanda energética do país e indica as necessidades de expansão em geração, transmissão, biocombustíveis e infraestrutura correlata. Embora não determine investimentos obrigatórios, o plano serve de orientação para o mercado e para órgãos reguladores.

Para o horizonte até 2055, o mapeamento de tendências aponta que a demanda de energia pode ser até duas vezes maior que em 2025, enquanto o consumo de eletricidade pode crescer até 4,2 vezes. O consumo dos data centers pode chegar a 300 terawatt-hora, e o sistema de transmissão precisará triplicar de tamanho.

Em relação à participação das fontes no consumo final em 2055, a fatia dos derivados de petróleo pode cair de 41% para algo entre 7% e 28%. As modelagens do PNE 2055 serão a base para o Plano Nacional de Transição Energética (Plante), previsto para o primeiro semestre de 2026.

Os investimentos previstos para a matriz elétrica podem atingir R$ 2 trilhões até 2055, dependendo do crescimento da carga e das metas climáticas. Para transmissão, estima-se R$ 600 bilhões em aportes. Os biocombustíveis poderão representar de 32% a 42% da Oferta Interna de Energia (OIE) em 2055, com etanol, biodiesel e biometano ganhando espaço em diferentes setores.

O PNE 2055 e o PDE 2035 estão em consulta pública para receber contribuições técnicas e aprimorar políticas e programas, alinhando-se às recomendações da Agência Internacional de Energia (IEA).