OPERAÇÃO DARK TRADER

Polícia mira máfia chinesa que lavou R$ 1 bilhão do PCC em sete meses

Ação conjunta entre Polícia Civil, Ministério Público e Fazenda estadual desarticula esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e à máfia chinesa em São Paulo e Santa Catarina.

Publicado em 12/02/2026 às 14:14
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Civil de São Paulo, em parceria com o Ministério Público do Estado, deflagrou nesta quinta-feira (12) a Operação Dark Trader, com o objetivo de desmantelar um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e ocultação empresarial. Segundo as investigações, uma organização criminosa chinesa movimentou ao menos R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ofensiva mobilizou cerca de 100 policiais, dois promotores do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP) e 20 auditores fiscais da Fazenda estadual, que cumpriram três mandados de prisão e realizaram 20 buscas e apreensões nos estados de São Paulo e Santa Catarina.

De acordo com as apurações, o grupo chinês utilizava um complexo sistema para desviar o fluxo financeiro e ocultar receitas provenientes do mercado de eletrônicos na capital paulista. As mercadorias eram enviadas para todo o País, dificultando o rastreamento dos valores.

Os promotores detalham que as vendas de eletrônicos eram formalizadas por uma empresa principal, mas os pagamentos dos clientes eram transferidos para companhias de fachada, criadas exclusivamente para receber e repassar os recursos ao crime organizado. As notas fiscais dos produtos eram emitidas por empresas diferentes das que realizavam as vendas, tornando o rastreamento das transações ainda mais difícil.

"O grupo utilizava pessoas com histórico criminal ligado a facções criminosas, que atuavam como sócios de fachada e beneficiários de imóveis de alto valor", informou o Ministério Público sobre a operação.

O GAEPP, especializado em identificar patrimônio oculto pelo crime organizado, obteve na Justiça o bloqueio de até R$ 1,1 bilhão vinculados ao esquema. Até o momento, já foram identificados e tornados indisponíveis pelo menos R$ 25 milhões em imóveis de luxo, veículos, dezenas de contas bancárias em nome de laranjas e aplicações financeiras.

Segundo a Polícia Civil, "a operação comprovou uma sistemática confusão patrimonial com o objetivo de fraudar o fisco, credores e o sistema judiciário".