INDICADOR ECONÔMICO

Confiança da indústria recua pelo 14º mês consecutivo

Setor industrial enfrenta queda contínua na confiança, aponta levantamento da CNI

Publicado em 12/02/2026 às 16:38
Índice de confiança da indústria cai pelo 14º mês, segundo levantamento da CNI.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) registrou nova queda em fevereiro, recuando 0,3 ponto e passando de 48,5 para 48,2 pontos, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com esse resultado, o setor industrial acumula 14 meses seguidos abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança.

Em janeiro, o indicador havia apresentado leve alta de 0,5 ponto, aproximando-se do patamar de neutralidade. O recuo de fevereiro ocorre após o Banco Central manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, colocando o Brasil entre os países com maiores juros reais do mundo.

Para a CNI, o ambiente de juros elevados impacta tanto o acesso ao crédito quanto as expectativas dos empresários. “O patamar elevado das taxas de juros afeta a atividade industrial de algumas formas. Uma delas é por meio do encarecimento do crédito, tanto para empresários quanto para os consumidores. Isso desacelera a atividade econômica”, explica Larissa Nocko, especialista em políticas e indústria da entidade.

Segundo ela, a política monetária restritiva também influencia as projeções para os próximos meses. “Diante de uma política monetária mais apertada, os empresários tendem a projetar o enfraquecimento da economia lá na frente, impactando a projeção de demanda deles”, acrescenta.

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Condições atuais e expectativas

Os dois componentes do ICEI apresentaram queda em fevereiro. O Índice de Condições Atuais recuou 0,2 ponto, atingindo 43,8 pontos, o que revela que os industriais percebem tanto a economia brasileira quanto seus próprios negócios em situação inferior à de seis meses atrás.

A piora foi influenciada principalmente pela percepção mais negativa sobre a situação das próprias empresas, apesar de uma leve melhora na avaliação do cenário econômico geral.

O Índice de Expectativas também caiu, passando de 50,7 para 50,4 pontos. Apesar de permanecer acima da linha de 50 pontos — sinalizando perspectivas positivas para os próximos seis meses —, houve deterioração nas projeções para o desempenho das empresas. Segundo a CNI, a piora ocorre mesmo com uma leve melhora nas expectativas em relação à economia para o mesmo período.

A pesquisa ouviu 1.103 empresas entre os dias 2 e 6 de fevereiro de 2026, sendo 454 pequenas, 400 médias e 249 grandes indústrias.

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