INVESTIGAÇÃO INTERNACIONAL

Epstein tinha CPF ativo no Brasil e cogitou cidadania brasileira, apontam arquivos

Documentos do Departamento de Justiça dos EUA revelam ligação do financista com o Brasil e detalham planos para obtenção de cidadania.

Publicado em 12/02/2026 às 16:34
Epstein tinha CPF ativo no Brasil e cogitou cidadania brasileira, apontam arquivos © ANSA/AFP

Um dos arquivos das investigações do caso de Jeffrey Epstein, divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, revela que o financista possuía registro ativo no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do Brasil.

O material integra a Biblioteca Epstein, repositório que reúne e-mails, imagens e outros registros relacionados às investigações sobre os crimes sexuais atribuídos a Epstein. Na pasta intitulada "Armário de arquivos 2", há uma lista denominada "Arquivos Diversos I", onde consta a relação de documentos pertencentes ao financista — entre eles, um CPF brasileiro.

Emitido em 23 de abril de 2003, o documento aparece como regular no sistema da Receita Federal do Brasil, trazendo o nome completo e a data de nascimento de Epstein.

Questionada, a Receita Federal informou que dados sobre inscrições no CPF são fornecidos apenas ao titular, representante legal ou procurador, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB Nº 2.172, de 9 de janeiro de 2024. Para pessoas de outra nacionalidade ou procuradores legais, é exigida a apresentação de documento original com foto, comprovando nacionalidade e data de nascimento.

Sobre a situação cadastral, o órgão esclareceu que qualquer ato relacionado ao CPF de estrangeiro falecido só pode ser solicitado por inventariante, cônjuge, companheiro ou sucessor, caso haja bens a inventariar no Brasil; ou por cônjuge, companheiro, parente ou beneficiário de pensão previdenciária por morte, se não houver bens a inventariar.

Outro documento, com troca de e-mails entre Epstein e a empresária alemã Nicole Junkermann — citada em diversas mensagens —, indica que o financista chegou a considerar solicitar a cidadania brasileira.

"O que você acha de tirar a cidadania brasileira?", questionou Nicole. "Ideia interessante, porém vistos podem ser um problema ao viajar para outros países", respondeu Epstein.

Um dos depoimentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA aponta que Epstein esteve no Brasil nos anos 2000. Segundo a contadora Maritza Vásquez, ele e o francês Jean-Luc Brunel, conhecido agenciador de modelos, contavam com o auxílio de uma cafetina brasileira para obtenção de prostitutas, algumas delas menores de idade.

Com apoio de Epstein, Brunel fundou a agência MC2, que, de acordo com investigações do FBI, funcionava como fachada para o recrutamento de meninas estrangeiras.

Em 2006, segundo Maritza, pelo menos quatro meninas brasileiras foram levadas a Nova York por Brunel. Duas delas eram menores, com idades entre 15 e 17 anos. Epstein teria arcado com os custos dos vistos de entrada nos EUA, emitidos pela MC2. As jovens ficaram hospedadas em apartamentos do bilionário, sublocados por Brunel pelo valor de US$ 1 mil, segundo a testemunha.

"Jeffrey Epstein estava indo ao Brasil porque tinha clientes no país. Quando ele e Jean-Luc estavam lá, uma mulher fornecia prostitutas para eles, e algumas eram menores de idade", relatou Maritza ao FBI.