MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa recua 1% e retorna aos 187 mil pontos após realização de lucros

Após atingir patamar inédito, índice sofre correção em meio à cautela global e queda no preço do petróleo

Publicado em 12/02/2026 às 18:46
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Após fechar próximo aos 190 mil pontos na quarta-feira e atingir esse nível inédito durante o dia, o Ibovespa fez uma pausa para corrigir excessos nesta quinta-feira, 12. Investidores aproveitaram o ambiente de cautela internacional para realizar lucros, levando o índice a oscilar entre 186.959,07 e 189.989,97 pontos. O pregão encerrou em baixa de 1,02%, aos 187.766,42 pontos, com volume financeiro de R$ 39,4 bilhões. No mês, o Ibovespa acumula alta de 3,53%, com avanço de 2,63% desde segunda-feira. No ano, o índice já sobe 16,53%.

Em Nova York, o Nasdaq registrou perdas de até 2,03% na sessão, acumulando queda de cerca de 3,7% no mês. O movimento ocorre em meio ao escrutínio dos investidores sobre o Capex das empresas de tecnologia em inteligência artificial, comparado ao grande ciclo de expansão das ferrovias americanas no século 19. Com a aversão ao risco e a rotação global de ativos, os rendimentos dos Treasuries recuaram. O petróleo também teve um dia negativo, caindo quase 3% em Londres e Nova York.

Na B3, entre as principais blue chips, apenas as ações do Banco do Brasil ON destoaram, fechando em alta de 4,50% após a divulgação do balanço trimestral e de conferência sobre os resultados. O banco conseguiu se descolar da correção que atingiu o setor financeiro, com destaque para as perdas de até 4,88% em Santander Unit e 1,44% em Bradesco PN. O principal papel do segmento, Itaú PN, caiu 2,29%.

Com investidores à espera do balanço do quarto trimestre de 2025, a Vale ON recuou 0,95%. Entre as maiores quedas do Ibovespa, destacaram-se Raízen (-12,99%), Braskem (-11,27%), CSN (-9,56%) e Magazine Luiza (-8,56%). No lado oposto, Assai (+5,09%) e Ambev (+4,76%) lideraram as altas após a divulgação dos resultados do quarto trimestre da fabricante de bebidas, seguidos pelo Banco do Brasil ON.

"A queda de mais de 10% nas ações da Braskem teve relação com a confirmação da Petrobras de que não pretende exercer seus direitos de compra ou venda conjunta na negociação das ações da petroquímica, frustrando expectativas de alguns investidores quanto ao futuro da empresa", explica Luise Coutinho, head de produtos e alocação na HCI Advisors.

Com o petróleo em baixa, a Petrobras também figurou entre as principais quedas, com recuos de 3,09% nas ações ON e 2,55% nas PN. "A Agência Internacional de Energia revisou suas estimativas e prevê que o mundo consumirá menos petróleo em 2026 do que o esperado anteriormente, o que fez o preço do barril cair internacionalmente, impactando empresas brasileiras como Petrobras, Prio (-2,56%), PetroReconcavo (-3,36%) e Brava (-3,09%)", acrescenta Luise.

"No exterior, os mercados ainda se ajustam aos dados de emprego dos EUA, que vieram mais fortes do que o esperado, e reagem a resultados corporativos negativos, atentos também ao CPI (Índice de Preços ao Consumidor) dos Estados Unidos, que será divulgado nesta sexta-feira, 13", analisa Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.