MERCADO FINANCEIRO

Aversão ao risco em Nova York faz dólar voltar a R$ 5,20 após mínima desde maio

Moeda americana inverte tendência e fecha em alta, influenciada por queda nas bolsas e cautela com juros nos EUA

Publicado em 12/02/2026 às 18:49
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Após atingir R$ 5,15 na manhã desta quarta-feira, seu menor patamar desde maio de 2024, o dólar reverteu a queda e encerrou o dia em alta, impulsionado pela aversão global ao risco. O movimento refletiu a queda dos principais índices de Wall Street e do Ibovespa, a valorização da moeda americana frente a pares fortes e emergentes, além de um rali nos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries). As commodities também não colaboraram, com destaque para o petróleo, que recuou quase 3%.

No mercado à vista, o dólar subiu 0,25%, fechando a R$ 5,2004, em uma correção considerada "natural" por operadores. Apesar do avanço, a moeda americana ainda acumula queda de 0,38% na semana, 0,90% no mês e 5,26% no ano frente ao real. No mercado futuro, o contrato para março avançava 0,62%, cotado a R$ 5,230 por volta das 18h, acompanhando a alta de 0,07% do índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes.

O cenário de cautela foi acentuado pela expectativa em torno da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, prevista para sexta-feira. O indicador é aguardado pelo mercado como um sinalizador da trajetória dos juros do Federal Reserve (Fed). Por volta das 13h, as bolsas americanas aprofundaram as perdas, movimento que contaminou também o petróleo e as commodities metálicas.

"É um movimento típico de aversão ao risco, tudo caminhando na mesma direção: bolsas em queda, dólar e Treasuries em alta. Vejo como uma realização natural", avalia Marcos Weigt, chefe da Tesouraria do Travelex Bank. Segundo ele, o principal fator de preocupação foi o desempenho das chamadas Mag 7 — as sete grandes empresas de tecnologia dos EUA — que, ao investirem fortemente em Inteligência Artificial, tornaram-se companhias de capital intensivo, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade dos retornos excepcionais.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, também destacou o ambiente externo mais defensivo. "Embora o vetor estrutural via carry trade e fluxo permaneça favorável ao real, o tom de 'flight to safety' limitou uma pressão adicional de baixa sobre o dólar ao fim do dia", afirmou.

Em relatório, a Capital Economics avaliou que o valor das moedas latino-americanas já parece "esticado". A consultoria aponta que, com a expectativa de que o Fed corte menos os juros do que o mercado projeta, o dólar tende a se fortalecer globalmente. Além disso, a possível queda nos preços das commodities pode pressionar ainda mais o câmbio de países exportadores de matérias-primas.