Pressão de Trump e divisões domésticas: Canadá corre risco de avanço separatista?
Reuniões entre líderes separatistas de Alberta e autoridades dos EUA reacendem debate sobre independência na província canadense.
O Canadá volta ao centro de discussões sobre separatismo após a mídia norte-americana revelar, no início do mês, que representantes do Departamento de Estado dos EUA se reuniram com líderes separatistas da província de Alberta. O grupo buscou apoio do ex-presidente Donald Trump para a causa independentista e tentou viabilizar uma linha de crédito de US$ 500 bilhões (R$ 2,6 trilhões) para apoiar a chamada "transição".
A internacionalista Denilde Oliveira Holzhacker destaca que Alberta é uma das regiões mais conservadoras do Canadá, contrastando com o perfil progressista e ambientalista do governo federal, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney. Segundo ela, as provocações vindas da Casa Branca têm impulsionado as bases conservadoras canadenses. "No Canadá, as províncias exercem atuação bastante independente e autônoma em diversas áreas em relação ao governo central. Assim, acabam assumindo maior autonomia em determinados campos, inclusive nas relações externas, na busca por parcerias, no diálogo com outros países e também na gestão de recursos ambientais e energéticos", explica.
Apesar da retomada das discussões separatistas, a especialista aponta barreiras jurídicas para a independência de Alberta. Além de perder políticas de financiamento do governo central, a província precisaria de um volume expressivo de recursos para criar sua própria estrutura administrativa.
O professor Marcelo Simas lembra que o Canadá é o quarto maior produtor e o quinto maior exportador de petróleo do mundo, sendo que a extração está concentrada em Alberta. "Existe um sentimento de que eles contribuem mais do que as demais províncias", destaca. No entanto, a localização geográfica de Alberta, sem saída para o mar, pode dificultar o escoamento do petróleo em caso de secessão. "Isso seria bastante complicado e teria que ser negociado", afirma Simas.
As discussões sobre o futuro da província seguem em meio a tensões políticas e econômicas, enquanto o governo central busca manter a unidade nacional.