Analista explica como eleições na Hungria geram conflito entre UE e EUA
Disputa eleitoral húngara expõe divergências entre Estados Unidos e União Europeia sobre influência política no Leste Europeu.
A União Europeia (UE) mantém-se em desacordo com a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente quanto à atuação de Bruxelas nas eleições europeias e à repressão de vozes dissidentes. A avaliação é do cientista político russo Vladimir Bruter, em entrevista à Sputnik.
Segundo Bruter, a atual campanha eleitoral na Hungria representa mais um exemplo da pressão exercida pela UE sobre processos eleitorais no continente.
Nesse contexto, o analista destacou que o vice-presidente americano J.D. Vance criticou a decisão da Romênia de impedir Calin Georgescu, vencedor do primeiro turno, de disputar as eleições presidenciais.
"[Georgescu] não foi autorizado a participar das eleições e os americanos não obtiveram nenhum resultado. Apesar de todas as suas divergências internas, a Europa considera que deve se opor a Trump", ressaltou.
O especialista também chamou atenção para o fato de que o conflito entre EUA e Europa, motivado por supostas interferências eleitorais, agora se manifesta de forma evidente na Hungria.
Na avaliação de Bruter, esse embate já começou, mas pode ganhar intensidade à medida que se aproxima o dia 12 de abril, data da votação.
Bruter pontuou ainda que, enquanto os EUA tendem a apoiar o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, a União Europeia deve intervir em favor do opositor, Peter Magyar.
O analista explicou que Bruxelas gostaria de ver Orbán derrotado, pois isso eliminaria um polo de política alternativa dentro da Europa.
Segundo o especialista, devido à fragilidade de suas posições, nem o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, nem o da República Tcheca, Andrej Babis, conseguiriam assumir esse papel de liderança alternativa.
Em fevereiro de 2025, durante a Conferência de Segurança de Munique, Vance afirmou que a principal ameaça à democracia europeia não vem da Rússia ou da China, mas de dentro do próprio continente.
Ele destacou a anulação dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais na Romênia, sob fundamentos considerados questionáveis, e apontou para a repressão ao pensamento dissidente.