Em 30 anos, Tribuna do Sertão sofre censura judicial pela primeira vez
Ação movida pelo prefeito de Maceió, JHC, determina retirada de matéria que citava seu nome em reportagem sobre o caso Banco Master
A Tribuna do Sertão enfrenta um episódio inédito em sua trajetória de quase três décadas: pela primeira vez em 30 anos de jornalismo, o veículo foi alvo de decisão judicial que determinou a retirada de uma reportagem do ar.
A medida atende a ação movida pelo prefeito de Maceió, JHC, em razão de uma matéria que mencionava seu nome no contexto das discussões sobre os investimentos públicos relacionados ao caso Banco Master — tema que ganhou repercussão nacional e passou a ser debatido em diferentes estados e municípios.
A reportagem abordava dados e informações já amplamente divulgados em veículos de imprensa e debatidos na esfera pública, tratando da aplicação de recursos em títulos vinculados ao Banco Master e destacando que Maceió aparece entre as cidades que mais destinaram valores a esse tipo de investimento.
Debate sobre recursos públicos
O conteúdo publicado tinha como foco a análise da gestão de recursos públicos e a dimensão dos investimentos realizados, sem juízo antecipado ou afirmação categórica além das informações já discutidas no cenário nacional.
Para a direção da Tribuna do Sertão, a decisão representa um precedente preocupante para a liberdade de imprensa, especialmente quando envolve cobertura de temas que tratam do uso de dinheiro público.
O jornal informa que irá recorrer da decisão para restabelecer o conteúdo, reafirmando que a fiscalização dos atos da administração pública é um dos pilares do jornalismo responsável.
30 anos na trincheira da informação
Fundada há quase 30 anos, a Tribuna do Sertão construiu sua história acompanhando os bastidores da política, da administração pública e das transformações sociais em Alagoas. Ao longo desse período, nunca havia sido determinada judicialmente a retirada de uma reportagem.
O veículo reafirma que continuará exercendo sua atividade com responsabilidade editorial, rigor na apuração e compromisso com o interesse coletivo.
A redação destaca que o debate sobre investimentos públicos é legítimo e necessário, e que a sociedade tem o direito de acompanhar, questionar e compreender como os recursos são aplicados.
A decisão judicial será contestada nas instâncias competentes, enquanto o jornal permanece firme em sua missão: informar com independência e defender o direito da população de ter acesso aos fatos.