CENSURA

Em 30 anos, Tribuna do Sertão sofre censura judicial pela primeira vez

Ação movida pelo prefeito de Maceió, JHC, determina retirada de matéria que citava seu nome em reportagem sobre o caso Banco Master

Por Redação Publicado em 13/02/2026 às 08:52
Sede da Tribuna do Sertão Arquivo

A Tribuna do Sertão enfrenta um episódio inédito em sua trajetória de quase três décadas: pela primeira vez em 30 anos de jornalismo, o veículo foi alvo de decisão judicial que determinou a retirada de uma reportagem do ar.

A medida atende a ação movida pelo prefeito de Maceió, JHC, em razão de uma matéria que mencionava seu nome no contexto das discussões sobre os investimentos públicos relacionados ao caso Banco Master — tema que ganhou repercussão nacional e passou a ser debatido em diferentes estados e municípios.

A reportagem abordava dados e informações já amplamente divulgados em veículos de imprensa e debatidos na esfera pública, tratando da aplicação de recursos em títulos vinculados ao Banco Master e destacando que Maceió aparece entre as cidades que mais destinaram valores a esse tipo de investimento.

Debate sobre recursos públicos


O conteúdo publicado tinha como foco a análise da gestão de recursos públicos e a dimensão dos investimentos realizados, sem juízo antecipado ou afirmação categórica além das informações já discutidas no cenário nacional.

Para a direção da Tribuna do Sertão, a decisão representa um precedente preocupante para a liberdade de imprensa, especialmente quando envolve cobertura de temas que tratam do uso de dinheiro público.

O jornal informa que irá recorrer da decisão para restabelecer o conteúdo, reafirmando que a fiscalização dos atos da administração pública é um dos pilares do jornalismo responsável.

30 anos na trincheira da informação


Fundada há quase 30 anos, a Tribuna do Sertão construiu sua história acompanhando os bastidores da política, da administração pública e das transformações sociais em Alagoas. Ao longo desse período, nunca havia sido determinada judicialmente a retirada de uma reportagem.

O veículo reafirma que continuará exercendo sua atividade com responsabilidade editorial, rigor na apuração e compromisso com o interesse coletivo.

A redação destaca que o debate sobre investimentos públicos é legítimo e necessário, e que a sociedade tem o direito de acompanhar, questionar e compreender como os recursos são aplicados.

A decisão judicial será contestada nas instâncias competentes, enquanto o jornal permanece firme em sua missão: informar com independência e defender o direito da população de ter acesso aos fatos.