Empresas e consumidores dos EUA arcam com tarifas de Trump, aponta estudo
Levantamento mostra que 90% do custo das tarifas recaiu sobre americanos, contrariando discurso do ex-presidente.
Pesquisas realizadas por economistas do Banco da Reserva Federal de Nova York e da Universidade de Columbia revelam que, até novembro de 2025, 90% do impacto econômico das tarifas impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi absorvido por empresas e consumidores norte-americanos, segundo reportagem do jornal The New York Times.
O jornal destaca que Trump afirmou reiteradas vezes que as tarifas seriam custeadas por países estrangeiros, e não pelos cidadãos dos EUA. No entanto, conforme previsto por especialistas, essa afirmação não se confirmou na prática.
De acordo com o artigo, os economistas analisaram a incidência das tarifas e constataram que, embora os importadores americanos paguem inicialmente os impostos ao governo, esses custos costumam ser repassados aos consumidores por meio de preços mais altos ou renegociações de contratos com fornecedores.
"Trump e seus assessores afirmaram que o custo das tarifas seria suportado pelos fornecedores estrangeiros [...]. No entanto, embora os dados mostrem que os fornecedores estrangeiros reagem às tarifas reduzindo seus preços em alguns casos, pesquisas econômicas sugerem que essa não é a resposta mais comum", ressalta a publicação.
O estudo também aponta que, de janeiro de 2024 a novembro de 2025, a maior parte dos custos tarifários permaneceu com empresas e consumidores dos EUA.
Especificamente, nos primeiros oito meses de 2025, 94% da incidência tarifária recaiu sobre o mercado norte-americano.
O levantamento conclui que, no geral, os preços dos bens importados pelos EUA subiram 11% em razão das tarifas.
Anteriormente, a ABC News, citando relatório da organização de pesquisa em política tributária Tax Foundation, informou que, no ano passado, as tarifas impostas por Trump representaram um custo médio de US$ 1.000 (R$ 5.250) por família norte-americana.
Segundo a publicação, se as tarifas atuais forem mantidas, o custo para a família média dos EUA pode chegar a US$ 1.300 (R$ 6.800) em 2026.