Macron afirma que não há sinais de paz e defende aumentar pressão sobre a Rússia antes de discutir envio de tropas
Presidente francês destaca necessidade de fortalecer sanções e buscar alinhamento com os EUA antes de considerar ação militar europeia.
O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou nesta sexta-feira, 13, que não observa sinais concretos de que Moscou esteja disposta a encerrar a guerra na Ucrânia neste momento. "Não vejo nenhuma evidência ou confirmação de que os russos queiram uma paz agora", afirmou, citando ataques contínuos contra civis e infraestrutura energética.
Durante uma sessão de perguntas e respostas após seu discurso na Conferência de Segurança de Munique, Macron reconheceu a frustração dos ucranianos com a lentidão das decisões ocidentais, mas avaliou que o envio imediato de tropas europeias poderia ampliar o conflito.
Segundo o presidente francês, colocar forças no terreno neste momento significaria "assumir o risco de escalada" e não há consenso entre os aliados para essa medida.
Macron ressaltou que a prioridade nas próximas semanas deve ser "reengajar" os Estados Unidos em uma estratégia comum.
Ele defendeu a convergência com Washington para ampliar sanções, inclusive contra a chamada "frota-sombra" russa, já citada como alvo durante seu discurso, e reforçar a pressão econômica sobre Moscou antes de qualquer negociação de curto prazo.
O presidente também afirmou que a discussão sobre a arquitetura de segurança europeia precisa avançar paralelamente.
Macron confirmou estar em diálogo com o chanceler alemão, Friedrich Merz, e outros líderes europeus sobre a articulação das capacidades nucleares do continente. Segundo ele, é necessário integrar a dissuasão nuclear a uma abordagem "holística" de defesa e segurança europeias, diante do fim de tratados herdados da Guerra Fria.
Qualquer diálogo futuro com a Rússia, acrescentou Macron, exigirá que a Europa esteja em posição de força e com suas próprias capacidades claramente definidas.