JUSTIÇA INTERNACIONAL

Babá brasileira recebe 10 anos de prisão por participação em assassinatos nos EUA

Juliana Peres Magalhães foi condenada por homicídio culposo após confessar envolvimento em plano que resultou na morte de duas pessoas.

Publicado em 13/02/2026 às 21:01
Juliana Peres Magalhães AP/Tom Brenner, Piscina

Uma babá brasileira foi condenada a 10 anos de prisão nesta sexta-feira, 13, nos Estados Unidos, por conspirar com seu empregador e amante para assassinar a esposa dele e outro homem.

Segundo os promotores, Juliana Peres Magalhães confessou sua culpa em troca de uma acusação reduzida de homicídio culposo pela morte de Joseph Ryan, ocorrida em fevereiro de 2023. Ela relatou ter atirado fatalmente em Ryan enquanto Brendan Banfield, seu patrão, esfaqueava a esposa, Christine, no quarto do casal.

No entanto, a juíza Penney S. Azcarate, do Tribunal de Circuito de Fairfax, decidiu aplicar a pena máxima possível. "Sei que meu remorso não pode trazer paz a vocês", declarou Juliana às famílias das vítimas. "Eu me perdi em um relacionamento e abandonei meus valores morais."

A juíza demonstrou severidade ao proferir a sentença: "Vamos deixar claro: você não merece nada além da prisão e uma vida de reflexão sobre o que fez à vítima e à sua família. Que isso pese em sua alma", afirmou Azcarate.

Juliana permaneceu em silêncio durante meses, até aceitar colaborar com os promotores no processo contra Brendan Banfield, que foi condenado recentemente por homicídio qualificado pela morte da esposa e de Ryan. O Ministério Público destacou que ambos mantiveram o relacionamento amoroso por meses após os crimes.

Durante o julgamento, Juliana revelou que ela e Banfield, agente da Receita Federal dos EUA, criaram uma conta em rede social voltada a fetiches sexuais, utilizando o nome de Christine. Joseph Ryan teria se conectado à conta e aceitado um encontro sexual envolvendo faca e simulação de estupro.

Conforme o depoimento, Juliana e Banfield levaram a filha de 4 anos do casal para o porão, antes de entrarem no quarto. Lá, segundo Juliana, Banfield atirou em Ryan e esfaqueava Christine no pescoço. Ao perceber que Ryan ainda se movia, Juliana efetuou o segundo disparo fatal.

O plano do casal era alegar que Ryan havia estuprado e ferido Christine, e que Banfield teria atirado no homem em defesa da esposa.

Juliana foi presa somente oito meses após o crime e permaneceu sem prestar depoimento por mais de um ano, até mudar de postura às vésperas do julgamento. A defesa de Banfield questionou os motivos de Juliana, alegando que ela apenas repetia o que os promotores desejavam ouvir.

Embora a promotoria e a defesa tenham sugerido que Juliana cumprisse apenas o tempo já detido até a sentença, a juíza rejeitou o acordo. Na Virgínia, homicídio culposo prevê pena máxima de 10 anos de prisão.