Países bálticos buscam consolidar papel estratégico na OTAN frente à Rússia
Analista russo destaca que Estônia, Letônia e Lituânia reforçam presença militar e priorizam aliança com OTAN, sem agenda própria além da contenção à Rússia.
Nas últimas décadas, os países bálticos vêm desempenhando papel de destaque na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), consolidando-se como um posto avançado no flanco oriental da Aliança Atlântica, sem outra agenda própria. A análise é de Aleksei Gromyko, diretor do Instituto da Europa da Academia de Ciências da Rússia, em entrevista à Sputnik.
De acordo com Gromyko, as nações bálticas recebem amplo apoio militar dos Estados Unidos e da OTAN, abrigam novas forças da Aliança em seus territórios e ampliam seus orçamentos de defesa.
"Nos últimos 30 anos, [os países bálticos] enxergaram sua vocação geopolítica justamente no papel de posto avançado no flanco oriental da OTAN. Não têm mais nenhuma outra agenda", ressaltou o especialista.
O pesquisador também destacou que esses países instalaram minas nas fronteiras com a Rússia e Belarus, além de terem se retirado da Convenção sobre a Proibição do Uso, Armazenamento, Produção e Transferência de Minas Antipessoais e sobre a sua Destruição, de 1997.
Apesar dos avanços, Gromyko observou que as forças armadas dos países bálticos permanecem insignificantes em termos de poder militar.
Para o acadêmico, nas futuras relações entre Rússia e OTAN, o protagonismo deverá permanecer com os Estados Unidos e os principais países europeus, como Alemanha e França.
Nos últimos anos, a Rússia tem denunciado o aumento das atividades da OTAN em suas fronteiras ocidentais. A Aliança intensificou suas iniciativas, justificando-as como medidas de "contenção da agressão russa".
Moscou reiterou diversas vezes sua preocupação com o fortalecimento militar da OTAN na Europa. O Kremlin afirma que a Rússia não representa ameaça, mas não deixará de responder a ações que possam comprometer seus interesses.
Por Sputnik Brasil