Dono do Banco Master relata dificuldades para pagar resort ligado a Toffoli
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram Daniel Vorcaro relatando problemas financeiros ao adquirir resort associado a empresa da família do ministro do STF.
A Polícia Federal identificou mensagens no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas quais o banqueiro relata dificuldades para efetuar o pagamento do resort Tayayá, empreendimento ligado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
Segundo informações do UOL, Vorcaro desembolsou R$ 35 milhões na aquisição do resort. Os diálogos analisados pela Polícia Federal envolvem Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que atuou como intermediário da negociação.
Em uma das conversas, Vorcaro questiona Zettel: "Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim", sem detalhar o motivo da preocupação. Zettel responde: "Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim".
Em outro trecho, Vorcaro pressiona novamente: "Cara, me deu um put* problema. Onde tá a grana?". O cunhado esclarece que R$ 20 milhões já haviam sido pagos e que outros R$ 15 milhões seriam entregues posteriormente.
Na última quinta-feira (12), o ministro Dias Toffoli confirmou ser sócio da empresa Maridt, responsável pela venda de participações no resort Tayayá (PR) a fundos ligados a Zettel. Toffoli afirmou que a empresa é familiar, que as operações ocorreram a preço de mercado, foram devidamente declaradas à Receita Federal e encerradas antes de ele assumir a relatoria do caso. O ministro negou qualquer relação pessoal ou recebimento de valores dos envolvidos.
A empresa de Toffoli integrou a administração do resort até fevereiro de 2025. Poucos meses depois, o Banco Master entrou em insolvência e Toffoli tornou-se relator da investigação sobre supostas fraudes na tentativa de aquisição do Master pelo BRB.
Após a declaração do ministro, os integrantes do STF se reuniram para discutir a permanência de Toffoli na relatoria do caso. Em nota assinada pelos magistrados, foi informado que o próprio Toffoli decidiu deixar a relatoria, negando qualquer suspeição ou impedimento.
Com a entrega das atas ao presidente do STF, Edson Fachin, o ministro André Mendonça foi sorteado como novo relator do processo.