Cuba não está sozinha: mexicanos promovem campanha de doação de alimentos e medicamentos
Organizações mexicanas mobilizam sociedade civil e governo para enviar ajuda humanitária diante da crise energética e alimentar em Cuba.
Diante do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos e da crise alimentar que afeta Cuba, grupos mexicanos lançaram uma campanha de arrecadação de alimentos e medicamentos para apoiar a população da ilha. A iniciativa pretende enviar os donativos a Havana ao final deste mês.
No emblemático Zócalo, na Cidade do México, em frente ao Palácio Nacional, o Coletivo Militante Solidariedade por Cuba e a Associação José Martí de Cubanos Residentes no México instalaram uma tenda para receber doações. O espaço, decorado com retratos de Ernesto "Che" Guevara, serve de ponto de coleta de alimentos e medicamentos destinados à ilha caribenha.
Entre os itens solicitados pela campanha estão leite em pó, arroz, feijão, lentilhas, açúcar, atum (enlatado ou em sachês), materiais cirúrgicos, gaze, algodão, seringas e medicamentos para diabetes, além de analgésicos e outros suprimentos médicos.
Após a coleta, os donativos serão enviados a Veracruz, no leste do México, e, posteriormente, encaminhados a Havana. Sergio Chaviano, presidente da Associação José Martí, explicou à Sputnik que os suprimentos serão entregues diretamente na capital cubana.
"O México sempre foi um país muito solidário, não só com Cuba, mas com o mundo todo. Cuba está grata por esta coleta que nos permitem fazer aqui no Zócalo da Cidade do México", afirmou Chaviano.
Ele destacou ainda que Havana enfrenta "um bloqueio desumano", agravado nas últimas semanas após os EUA anunciarem sanções a países que comercializam petróleo com Cuba.
O agravamento das restrições resultou em uma grave crise energética, levando o governo cubano a adotar medidas extraordinárias para garantir a continuidade de serviços essenciais e a vitalidade do país.
Entre as ações estão restrições à venda de combustíveis, redução de viagens interprovinciais, fechamento de hotéis e diminuição da jornada de trabalho.
Francisco Rosas, do Coletivo Militante de Solidariedade "Go for Cuba", afirmou ser fundamental que o mundo demonstre apoio ao povo cubano diante das adversidades impostas pelo bloqueio.
"Toda a humanidade deve apoiar o povo cubano pelo exemplo de dignidade, coragem, resistência e desafio que ele representa, apesar das adversidades de anos de bloqueio. A questão é enviar uma mensagem a Washington de que Cuba não está sozinha", declarou Rosas.
Governo envia ajuda
Nesta semana, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou novas medidas para manter o fluxo de ajuda humanitária a Cuba. Ela informou que um segundo carregamento de alimentos e medicamentos já está em preparação, após o envio recente de 800 toneladas de suprimentos à ilha.
Sheinbaum também não descartou a possibilidade de o México atuar como ponte aérea para países interessados em apoiar Havana. Segundo ela, o governo mexicano pode auxiliar inclusive no transporte de combustível de aviação, caso o governo cubano solicite o apoio.
Sobre os carregamentos de petróleo, atualmente suspensos, a presidente explicou que o México ainda avalia formas de entregar o recurso sem provocar retaliações de Washington.
Enquanto isso, o partido governista, Movimento de Regeneração Nacional (Morena), anunciou a criação de centros de coleta em todos os estados mexicanos para reforçar a solidariedade ao povo cubano.