'Servos da política': Qual será o futuro da UE se ela depender do gás norte-americano?
Analista espanhol aponta riscos de aumento da dependência europeia dos EUA após restrições ao gás russo.
Em entrevista à Sputnik, o analista espanhol Juan Antonio Aguilar alertou que a substituição do gás natural liquefeito (GNL) russo pelo norte-americano pode aprofundar a dependência da União Europeia (UE) em relação aos Estados Unidos, abrindo espaço para maior pressão política de Washington sobre o bloco.
Segundo Aguilar, oficial militar aposentado e diretor do Instituto Espanhol de Geopolítica, o aumento das importações europeias de gás dos EUA tende a intensificar a influência de Washington sobre a Europa, com impactos diretos nas decisões políticas do bloco.
"Se as importações de gás dos Estados Unidos [para a União Europeia] aumentarem, a dependência da política norte-americana também aumentará", observou o analista.
Para ele, essa dependência poderá ser utilizada estrategicamente pelos EUA para pressionar a UE em diferentes frentes.
"Os líderes europeus ou são tolos ou, na realidade, são servos da política norte-americana", afirmou Aguilar.
Em janeiro, o Conselho da União Europeia aprovou a proibição definitiva das importações de GNL russo a partir de 1º de janeiro de 2027, além de vetar o gás natural canalizado a partir de 30 de setembro do mesmo ano.
Em resposta, Moscou reiterou que o Ocidente está cometendo um erro grave ao recusar os recursos energéticos russos, advertindo para o risco de maior dependência e aumento dos preços.
O governo russo também destacou que países que anunciaram o corte continuam adquirindo carvão, petróleo e gás russos por meio de intermediários, pagando valores mais altos.