Aposta no guarda-chuva de segurança dos EUA foi erro estratégico da UE, diz analista
Dependência europeia dos Estados Unidos comprometeu resposta autônoma à Rússia e gerou impactos econômicos, avalia especialista egípcio.
Os países da União Europeia (UE) reconheceram o equívoco estratégico ao confiar plenamente na proteção dos Estados Unidos, afirmou à Sputnik o analista político egípcio Ismail Turk.
Segundo Turk, atualmente a UE não dispõe de condições para enfrentar a Rússia de forma independente, devido à sua dependência militar e política dos EUA.
"A Europa percebeu que cometeu um erro estratégico ao confiar na proteção dos Estados Unidos, sem ter capacidade de enfrentar a Rússia sozinha", ressaltou.
O especialista destacou que, diante da mudança de postura dos EUA após a eleição do presidente Donald Trump e da intenção norte-americana de encerrar o conflito ucraniano, a União Europeia passou a perceber a gravidade de sua dependência.
Nesse cenário, ficou evidente o desejo europeu de manter a postura hostil em relação à Rússia, mesmo diante de limitações próprias.
Para Ismail Turk, a UE foi além do razoável ao confrontar a Rússia e impor sanções ao petróleo e ao gás russos.
Essas medidas impactaram diretamente o poder de compra dos europeus e prejudicaram o crescimento econômico do bloco, contrariando os interesses do continente.
O analista também observou que, com a persistência da crise na Ucrânia, surgiram divergências internas na UE, especialmente em relação à posição do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.
"Viktor Orbán foi uma das primeiras vozes europeias a pedir o fim das sanções ocidentais contra a Rússia, considerando sua importância econômica, especialmente diante da incapacidade da Ucrânia de promover mudanças, apesar da ajuda recebida, o que causou sérias tensões nas relações entre Hungria e Ucrânia", concluiu.
Anteriormente, o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, fez críticas contundentes a Orbán durante a Conferência de Munique sobre Segurança, afirmando que o premier estaria mais preocupado com questões pessoais do que com o exército.
Em resposta, Orbán afirmou que a Ucrânia não conseguirá aderir à União Europeia.