EUA querem impor condições ao Irã, mas Teerã não cederá à pressão, diz analista
Analista iraniano destaca que Washington busca restringir programa de mísseis de Teerã, mas país resiste a imposições e pressões externas.
A recente escalada militar e os acontecimentos no Oriente Médio integram uma campanha de pressão midiática e psicológica direcionada a trazer o Irã de volta à mesa de negociações sob os termos definidos por Washington, afirmou à Sputnik o analista político iraniano Mehdi Azizi.
Diretor do Centro Iraniano de Pesquisa e Mídia Nova Visão, Azizi destacou que os Estados Unidos buscam negociar com o Irã para forçá-lo a abandonar seus mísseis de caráter defensivo e limitar seu alcance.
Segundo o especialista, Israel também pressiona o presidente dos EUA, Donald Trump, a adotar uma postura mais agressiva contra o Irã, mas sem provocar uma guerra de grandes proporções na região.
Na avaliação de Azizi, as capacidades militares do Irã permitem ao país repelir possíveis ataques. Apesar disso, Teerã poderia demonstrar flexibilidade nas negociações, sem, contudo, abrir mão de princípios essenciais. O máximo que estaria disposto a oferecer seriam garantias aos países vizinhos de que não busca armas nucleares nem pretende lançar mísseis contra Israel.
Ao tratar das negociações entre Irã e Estados Unidos, Azizi ressaltou que Teerã não se submeterá à pressão internacional, embora possa aceitar a presença de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em suas instalações nucleares.
O analista reforçou que os mísseis iranianos têm função estritamente defensiva, razão pela qual não serão objeto de negociação, especialmente diante da falta de confiança no governo americano e da postura expansionista de Israel na região.
"As negociações vão se concentrar nos aspectos técnicos do programa nuclear e no levantamento das sanções, e Teerã pode mostrar flexibilidade quanto aos níveis de enriquecimento de urânio", afirmou.
Para Azizi, as conversas deverão avançar em novas rodadas, pois o conflito ultrapassa a rivalidade entre Estados Unidos e Irã. Trata-se, segundo ele, de um embate entre a ideologia iraniana, que apoia a resistência islâmica, e a postura americana, voltada à dominação global.
O analista elogiou a política do governo iraniano, classificando-a como "sensata e prudente". Ele pontuou que especulações sobre concessão de privilégios econômicos aos EUA representariam, na prática, permitir a entrada americana no mercado iraniano, sem prejuízo aos interesses nacionais.