ECONOMIA E TRABALHO

Redução da jornada para 36 horas divide opiniões entre sindicatos e estudos

Proposta de diminuir a carga horária semanal avança na Câmara, mas especialistas alertam para possíveis impactos negativos no PIB e nos custos trabalhistas.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 17/02/2026 às 05:52
Discussão sobre redução da jornada de trabalho para 36 horas divide sindicatos e especialistas no Brasil. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

A proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais vem gerando divergências entre sindicatos, estudiosos e setores produtivos em todo o país.

De acordo com pesquisas da FGV-Ibre e do Ipea, a medida pode provocar uma queda de até 6,2% no Produto Interno Bruto (PIB) e elevar em até 22% o custo da hora trabalhada para quem atualmente cumpre o limite de 44 horas semanais.

Enquanto sindicatos defendem que a diminuição da jornada seria compensada pelo aumento do consumo e por ganhos em produtividade, especialistas alertam para possíveis efeitos regressivos e para a estagnação da produtividade, fator considerado essencial para evitar uma desaceleração econômica.

No setor público, o impacto seria menor, uma vez que muitos órgãos já operam próximos às 36 horas semanais. No entanto, estudos apontam que setores como transporte, comércio e indústria extrativa seriam os mais afetados negativamente pela mudança.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema avançou na Câmara dos Deputados, mas ainda encontra resistência diante das diferentes avaliações sobre seus efeitos na economia.

Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo reforçam a necessidade de cautela na análise dos impactos, principalmente sobre produtividade e competitividade.