Raros enterros fetais do 5º milênio a.C. no Irã revelam práticas pré-históricas variáveis
Descoberta de dois sepultamentos infantis em vasos cerâmicos lança luz sobre rituais funerários da cultura Dalma.
Arqueólogos iranianos descobriram dois enterros pré-históricos no noroeste do Irã, revelando práticas funerárias pouco comuns da Antiguidade.
Durante escavações nas ruínas de antigos edifícios, os pesquisadores localizaram os restos mortais de duas crianças que faleceram pouco antes, durante ou logo após o parto. Os corpos foram encontrados dentro de vasos de cerâmica associados à cultura Dalma, datada de meados do quinto milênio a.C., conforme detalhado em artigo publicado na revista Archaeological Research in Asia.
Enterros de prematuros, recém-nascidos e bebês são considerados raros na arqueologia. Essa escassez pode ser atribuída à fragilidade dos ossos infantis, que têm menor probabilidade de preservação ao longo de milênios, além de práticas culturais que distinguiam o tratamento dos corpos de crianças em relação aos adultos, conforme explica o portal Phys.org.
Além disso, os bebês muitas vezes não eram considerados pessoas de pleno valor, de modo que seus enterros eram frequentemente realizados de maneira diferente dos adultos, ou seus túmulos eram mantidos separados da parte principal dos falecidos.
As escavações ocorreram no sítio de Chaparabad, entre 2021 e 2023, onde foram identificados dois enterros fetais em vasos, localizados em salas distintas a poucos metros de distância. Em ambos, os pesquisadores encontraram restos infantis em recipientes cerâmicos típicos da cultura Dalma, sendo que um dos esqueletos estava preservado em cerca de 90% — um índice considerado raro.
Uma análise antropológica dos ossos revelou que, muito provavelmente, no enterro estavam restos de crianças que haviam morrido 36-38 semanas após a concepção, ou seja, crianças natimortas ou ligeiramente prematuras que tinham morrido durante ou pouco depois do parto.
Ainda que pertençam ao mesmo período, os rituais de sepultamento apresentavam diferenças. Em um dos vasos, foram encontrados ossos de ovelhas ou cabras junto aos restos humanos, tanto dentro quanto ao lado do recipiente. Os locais de sepultamento também variavam: um estava em uma possível despensa, e o outro, em um ambiente que pode ter sido uma cozinha, segundo os autores do estudo.