Líder supremo iraniano desafia poder militar dos EUA e rejeita pressão por mudanças
Ali Khamenei reage a declarações de Trump, ironiza força norte-americana e reforça que Irã não cederá a ameaças ou imposições.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, respondeu nesta terça-feira (data a ser inserida) às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a defender uma mudança de regime em Teerã e ordenou o envio de um segundo grupo de porta-aviões ao Oriente Médio.
Sem citar diretamente Washington, Khamenei ironizou a retórica militar norte-americana: "Ele diz que seu Exército é o mais forte do mundo. O Exército mais forte do mundo pode, às vezes, levar um golpe tão forte que não consiga mais se levantar", afirmou.
Em referência indireta ao reforço naval dos EUA na região, o líder iraniano acrescentou: "Mais perigosa do que um porta-aviões é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar."
As declarações ocorrem após Trump afirmar que uma mudança de poder no Irã "seria o melhor que poderia acontecer", ao mesmo tempo em que pressiona por concessões mais amplas de Teerã, incluindo restrições ao programa nuclear, aos mísseis balísticos e ao apoio a grupos aliados no Oriente Médio.
Khamenei também rejeitou as condições impostas por Washington para eventuais negociações. "Determinar previamente o resultado de uma negociação é algo tolo", disse.
Segundo ele, os EUA propõem discutir a energia nuclear iraniana já estabelecendo como desfecho que o país não poderá mantê-la. "Se houver uma negociação, definir o resultado de antemão é um ato errado e tolo", reforçou.
O Irã sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos e acusa os EUA de tentarem "dominar a nação iraniana". O impasse ocorre às vésperas de uma nova rodada de negociações entre Teerã e Washington.
Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, reuniu-se em Genebra com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. Araghchi afirmou estar na cidade suíça com "ideias concretas para alcançar um acordo justo e equitativo", mas ressaltou que "submissão diante de ameaças" não está em discussão.
Em entrevista à BBC, o vice-chanceler Majid Takht-Ravanchi declarou que o Irã aceita negociar o programa nuclear desde que haja alívio das sanções lideradas por Washington.