ECONOMIA EUROPEIA

BCE alerta para preços elevados de eletricidade e desafios às metas climáticas da UE

Banco Central Europeu destaca que custos persistentes de energia dificultam avanços na descarbonização do bloco.

Publicado em 17/02/2026 às 13:06
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Os preços da eletricidade na zona do euro permanecem elevados mesmo após a crise energética de 2021-2022, criando obstáculos para as metas de descarbonização da União Europeia. A análise consta do boletim econômico divulgado nesta terça-feira, 17, pelo Banco Central Europeu (BCE). Segundo a instituição, a eletrificação é peça-chave na estratégia climática do bloco, porém, o consumo de energia elétrica caiu 6,3% entre 2015 e 2023. Enquanto isso, a Comissão Europeia pretende ampliar a participação da eletricidade no consumo final de 23% em 2024 para 32% até 2030.

De acordo com o BCE, cerca de 50% da conta de luz das famílias corresponde ao custo da energia – incluindo geração, fornecimento e permissões de carbono –, percentual que chega a 63% para indústrias intensivas em energia em 2024. Os custos de rede representam 27% da fatura das famílias e 12% da indústria, enquanto o IVA responde por aproximadamente 14% para ambos. Outros tributos nacionais somam cerca de 10%, o que contribui para diferenças de preços entre os países.

O boletim aponta ainda que as famílias pagam, em média, o dobro do valor desembolsado por setores intensivos em energia. Entre 2019 e 2024, os preços da eletricidade subiram 33% para consumidores residenciais e 53% para a indústria, impulsionados principalmente pelo aumento dos custos de combustíveis. Apesar da redução no consumo – de 14,5% na indústria e 1,5% nas residências entre 2019 e 2023 –, o gasto total aumentou devido à elevação dos preços.

O BCE ressalta também que o impacto do sistema europeu de comércio de emissões (ETS) é mais expressivo em países cuja matriz elétrica é mais intensiva em carbono, podendo representar até 9% do preço final. Para a instituição, medidas temporárias para aliviar os custos não solucionam as causas estruturais e devem preservar incentivos à transição energética.