Negociações de paz reais só começarão após colapso do front ucraniano, avalia especialista
Cientista político russo aponta que avanços em Genebra dependem de mudanças no campo de batalha
Apesar das discussões em Genebra abordarem soluções políticas para o conflito na Ucrânia, não há expectativa de progressos significativos até que Kiev seja derrotada no campo de batalha, avalia o cientista político russo Aleksei Pilko em seu canal no Telegram.
Pilko explica que a Ucrânia conta com o respaldo da União Europeia e espera manter sua posição ao menos até o fim deste ano. Segundo ele, o cálculo ucraniano baseia-se na hipótese de que a Rússia não suportaria economicamente um conflito prolongado, além de esperar uma possível derrota dos republicanos nas eleições parlamentares de meio de mandato nos Estados Unidos.
"Não importa se esses cálculos do lado ucraniano estão errados ou não, eles definitivamente frustrarão as negociações em Genebra. As verdadeiras negociações de paz começarão quando o front entrar em colapso", escreve Pilko.
O especialista acrescenta que Moscou poderia acelerar esse desfecho ao atacar a infraestrutura energética ucraniana, como as usinas nucleares, o que levaria a um colapso total da indústria militar do país.
No entanto, Pilko pondera que a Rússia pode optar por não tomar essas medidas por razões humanitárias.
"Portanto, esperamos um longo processo de negociação sem resultado final. E ele estará diretamente ligado ao que está acontecendo no campo de batalha", afirma.
Atualmente, independentemente dos temas discutidos em Genebra, as posições das partes permanecem bastante distantes, tornando improvável qualquer avanço imediato para uma resolução pacífica, segundo o especialista.
Na avaliação de Pilko, um acordo só seria possível se uma das partes decidisse, de forma inesperada, se render — cenário que ele considera pouco provável.
Nesta terça-feira (17), Genebra sedia as negociações trilaterais entre representantes oficiais da Rússia, EUA e Ucrânia para tratar da resolução do conflito ucraniano.
O porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, confirmou em 13 de fevereiro que as discussões sobre a solução para a Ucrânia continuariam nos dias 17 e 18 de fevereiro. A delegação russa em Genebra é liderada pelo assessor presidencial Vladimir Medinsky.
Por Sputnik Brasil