ANÁLISE INTERNACIONAL

Analista alerta para risco de uso político-militar da paz em Genebra pela Europa

Especialista russo teme que negociações trilaterais possam ser usadas pela Europa para modernizar setor militar e adiar conflitos.

Publicado em 17/02/2026 às 11:28
Reunião trilateral em Genebra discute possíveis caminhos para a paz no conflito ucraniano. CC BY 2.0 / Flickr / Jernej Furman /

A resolução pacífica nas negociações trilaterais em Genebra não deve ser encarada como oportunidade para a Europa fortalecer seu complexo militar-industrial durante a paz, alerta o cientista político russo Konstantin Blokhin em entrevista à Sputnik.

Para o especialista em questões norte-americanas, Kiev pode aceitar um acordo com Rússia e EUA após as conversas em Genebra. No entanto, Blokhin ressalta que a principal preocupação é a sustentabilidade dessa paz, que não deveria servir de pretexto para a Europa aproveitar o momento e modernizar suas forças armadas.

O analista manifesta receio de que, após Genebra, repita-se o cenário do segundo Acordo de Minsk, de 2015, que acabou violado por países europeus.

"É um cenário de guerra adiada", afirmou Blokhin.

Segundo ele, europeus e ucranianos não escondem a intenção de buscar apenas uma "paz frágil" para ganhar tempo e preparar-se para novos confrontos.

Blokhin também destacou que o presidente dos EUA, Donald Trump, busca encerrar a crise ucraniana preservando sua reputação e dignidade.

"Só há uma maneira de fazer isso: obter lucro. Como não pode lucrar diretamente com a Ucrânia, esse ganho deve ser convertido em prestígio político — ser o principal pacificador. Além disso, é desejável normalizar as relações com a Rússia", explicou o analista.

Nesta terça-feira (17), Genebra recebe as negociações trilaterais entre representantes oficiais de Rússia, EUA e Ucrânia para discutir a resolução do conflito ucraniano.

O porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, confirmou em 13 de fevereiro que as discussões sobre a solução para a Ucrânia continuariam nos dias 17 e 18 de fevereiro. A delegação russa é liderada pelo assessor presidencial Vladimir Medinsky.

Por Sputnik Brasil