Mary Daly diz que inflação precisa cair para corte de juros nos EUA
Presidente do Fed de São Francisco destaca desafios do mercado de trabalho e impacto da IA na economia americana.
Mary Daly, presidente do Federal Reserve (Fed) de São Francisco, afirmou nesta tarde, em evento na Universidade Estatal de San Jose, que a inflação nos Estados Unidos precisa apresentar uma queda sustentável para que os dirigentes possam considerar a retomada da flexibilização monetária. "A inflação continua acima da meta de 2%, está assim há muito tempo e as pessoas estão preocupadas com isso", declarou.
No entanto, Daly ponderou que há preocupações adicionais relacionadas às mudanças estruturais no mercado de trabalho, provocadas pela inteligência artificial (IA), além do atual cenário de baixa contratação e demissões, o que, segundo ela, aumenta a vulnerabilidade da economia americana.
Segundo a dirigente, a desaceleração do mercado de trabalho nos EUA ocorre em diversos setores, independentemente do uso de IA. Ela destacou que há uma boa geração de empregos nas áreas de saúde e educação, mas que os demais setores permanecem estáveis ou estão eliminando vagas. "É por isso que quero ser cautelosa", ressaltou. "Nenhuma tecnologia necessariamente elimina empregos, mas pode transformar sua oferta e funções."
Daly avaliou ainda que a política monetária está atualmente moderadamente restritiva e estimou que restam cerca de 75 pontos-base (pb) de cortes até atingir o nível considerado neutro. "Mas essa métrica não é algo concreto. Os juros neutros são estimativas e ninguém calibra a política monetária com precisão cirúrgica ao ajustá-la rumo ao nível neutro", explicou, acrescentando que nem mesmo a inteligência artificial seria capaz de fornecer uma estimativa exata.
A presidente do Fed de São Francisco também negou que o banco central esteja substituindo pesquisadores e equipes técnicas de economistas por ferramentas de IA. "Não usamos inteligência artificial em política monetária, apenas em pesquisas. Ela ajuda a encontrar caminhos, mas não oferece respostas sozinha", esclareceu, defendendo ao mesmo tempo a necessidade de modernização dos bancos centrais.