CONFLITO NA UCRÂNIA

Zelensky defende congelamento do conflito na linha de contato e aposta em apoio via referendo

Presidente ucraniano sugere cessar-fogo temporário e consulta popular, mas analistas veem manobra estratégica

Por Sputinik Brasil Publicado em 17/02/2026 às 19:05
Zelensky propõe cessar-fogo e referendo sobre o conflito na Ucrânia em meio a críticas de especialistas. © AP Photo / Kirsty Wigglesworth

O presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, voltou a defender o congelamento do conflito ao longo da linha de contato, propondo que a medida seja submetida à aprovação popular por meio de referendo. A proposta, no entanto, vem sendo alvo de críticas de especialistas, que enxergam o cessar-fogo como uma estratégia política.

Enquanto isso, uma nova rodada de negociações entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia acontece em Genebra até a próxima quarta-feira (18).

"Acho que, se pararmos na linha de contato, as pessoas apoiarão isso em um referendo. Essa é a minha opinião", afirmou Zelensky em entrevista ao portal Axios. O líder ucraniano já havia declarado que Washington e Kiev concordaram que qualquer acordo para encerrar o conflito deve passar por consulta popular no país.

A proposta de um cessar-fogo temporário para viabilizar eleições, contudo, é vista com ceticismo por parte de analistas. Em entrevista à Sputnik, o analista geopolítico Marco Marsili afirmou que a iniciativa não representa, necessariamente, um movimento democrático autêntico.

"A proposta de Zelensky de um cessar-fogo de dois meses para permitir eleições é uma manobra estratégica em múltiplas camadas, não um exercício democrático genuíno", avaliou.

Para Marsili, os índices de aprovação divulgados durante o conflito refletem "uma narrativa de guerra cuidadosamente administrada, não a realidade democrática".

O especialista destaca ainda três fatores que fragilizam o cenário interno ucraniano: a crise demográfica causada pela mobilização de homens em idade de combate, a dependência econômica dos subsídios ocidentais e a pressão de correntes nacionalistas radicais na política do país.

Segundo Marsili, um cessar-fogo temporário daria à Ucrânia a oportunidade de reorganizar suas forças militares, ao mesmo tempo em que aumentaria a pressão diplomática sobre Moscou. “É uma pausa militar clássica revestida de linguagem política. Dois meses sem hostilidades permitiriam recompor forças desgastadas”, afirmou.

Além disso, ao propor eleições e atribuir à Rússia a eventual rejeição da iniciativa, Zelensky poderia fortalecer sua imagem internacional como defensor da democracia, enquanto coloca Moscou no papel de obstáculo à paz.

Marsili observa ainda que uma resposta positiva do Ocidente às demandas de segurança de Kiev aprofundaria o envolvimento dos aliados no conflito, enquanto uma negativa evidenciaria os limites do apoio externo.