DESPEDIDA

Lideranças políticas prestam últimas homenagens a Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB

Dirigente de 83 anos foi velado no Sindicato dos Metalúrgicos em São Paulo; cerimônia reuniu ministros, parlamentares e uma mensagem de pesar do presidente Lula

Publicado em 17/02/2026 às 20:50
Yuri Salvador

O cenário político nacional se despediu, nesta segunda-feira (16), de um dos principais quadros da história do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O ex-presidente da sigla, Renato Rabelo, falecido no último domingo (15) aos 83 anos, recebeu homenagens de familiares, militantes e dirigentes de diversos partidos durante um velório público no Palácio do Trabalhador, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

O Legado e as Homenagens

A cerimônia foi marcada por discursos emocionados que destacaram a visão estratégica e o poder de articulação de Rabelo ao longo de mais de 60 anos de vida pública, desde os tempos de movimento estudantil.

A Sucessora: A atual presidenta licenciada do PCdoB e ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (que sucedeu Rabelo no cargo em 2015), destacou que ele era a expressão da "serenidade ativa". Ela fez uma homenagem especial à viúva, Conchita, companheira de vida do dirigente desde os anos 1960.

A Mensagem de Lula: O ex-ministro José Dirceu discursou em nome do Partido dos Trabalhadores (PT) e trouxe o abraço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em mensagem, Lula afirmou que "a democracia brasileira perdeu hoje um de seus maiores nomes" e elogiou a capacidade do dirigente de reunir forças políticas pela soberania do país. Dirceu lembrou que Rabelo foi decisivo na construção da Frente Brasil Popular (1989) e na superação de crises políticas como o mensalão e a Lava Jato.

Outras figuras históricas, como a deputada federal Jandira Feghali, Aldo Arantes e Gustavo Petta, também ressaltaram a importância de Rabelo para a sobrevivência do partido após a crise do bloco socialista e para a formação política das novas gerações (como a criação da União da Juventude Socialista em 1983).

O Último Adeus

Após o velório, uma segunda cerimônia, mais reservada, ocorreu no Crematório da Vila Alpina. Em uma homenagem final e simbólica, o músico João Vitor Romano tocou no violino o hino A Internacional e o último movimento da Nona Sinfonia de Beethoven (Ode à Alegria), que era a canção preferida do ex-presidente do PCdoB.