ECONOMIA GLOBAL

FMI projeta desaceleração do PIB do Japão para 0,8% em 2026

Inflação japonesa deve convergir para a meta de 2% apenas em 2027, aponta relatório do Fundo Monetário Internacional

Publicado em 17/02/2026 às 20:35
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a economia do Japão tem demonstrado resiliência notável diante de choques globais, mantendo um crescimento sólido, ainda que em ritmo mais moderado nos próximos anos. Conforme relatório preliminar da missão do Artigo IV, o Produto Interno Bruto (PIB) japonês deve avançar 0,8% em 2026, após uma alta estimada de 1,1% em 2025, e crescer 0,6% em 2027.

Segundo o FMI, a atividade econômica superou o potencial na primeira metade de 2025, sustentada por demanda doméstica robusta, mesmo diante de incertezas e das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Para 2026, o Fundo projeta uma moderação do crescimento, com enfraquecimento do ambiente externo, mas destaca um investimento privado mais forte e consumo apoiado pela recuperação gradual dos salários reais, à medida que a inflação diminui.

O relatório ressalta que o mercado de trabalho japonês permanece aquecido, com desemprego baixo e aumento nominal dos salários no ritmo mais intenso em décadas. No entanto, os ganhos reais continuam sendo corroídos pela inflação. O FMI considera essenciais reformas que ampliem a mobilidade e fortaleçam o poder de negociação dos trabalhadores, para sustentar a renda real e o consumo.

Quanto à inflação, o índice ao consumidor, que superou a meta de 2% do Banco do Japão (BoJ) por mais de três anos, deve desacelerar de 3,2% em 2025 para 2,1% em 2026, convergindo para a meta apenas em 2027. O núcleo da inflação permanece mais persistente do que o previsto anteriormente, reflexo, em parte, de uma política fiscal mais acomodatícia. As estimativas do FMI apontam para núcleo do CPI de 3% em 2025, 2,5% em 2026 e 2,1% em 2027.

No âmbito fiscal, o FMI avalia que a consolidação pós-pandemia foi sustentada por receitas fortes e controle de gastos, mas recomenda evitar novo afrouxamento fiscal no curto prazo, a fim de preservar os avanços recentes e reconstruir reservas. A dívida bruta do país segue elevada, embora em trajetória de queda: a projeção é de 203,1% do PIB em 2026, ante 207% em 2025, e 199,9% em 2027.

Sobre o câmbio, o organismo internacional reafirma o apoio ao regime de taxa flexível, que deve continuar contribuindo para absorver choques externos e manter o foco da política monetária na estabilidade de preços. O documento observa que o iene acompanhava o diferencial de juros entre EUA e Japão, mas se descolou dessa dinâmica desde meados de 2025.

Por fim, o FMI considera apropriada a retirada gradual do estímulo monetário pelo Banco do Japão, com a taxa básica caminhando para um nível neutro até 2027, em abordagem orientada por dados.