Dados sigilosos de ministros do STF podem ter sido vazados por servidor, aponta Receita Federal
Operação da PF investiga acesso irregular a informações fiscais de familiares de ministros do STF; servidor do Serpro é suspeito.
A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta terça-feira (17) mandados de busca e apreensão contra quatro suspeitos de vazamento de dados de autoridades, incluindo familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
As ações ocorreram nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Segundo a Receita Federal, o rastreamento dos acessos permitiu identificar entradas indevidas nos sistemas, o tempo de visualização das páginas e se houve download ou impressão de dados fiscais.
O mapeamento considerou ainda pessoas autorizadas a acessar o sistema por meio de procuração. Com base nessas informações, a operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre as vítimas está Viviane Barsi, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes. Seu escritório foi contratado pelo banco Master por R$ 3,6 milhões mensais para atuar na defesa dos interesses da instituição, conforme noticiado pelo jornal O Globo em dezembro.
Outros ministros do STF também foram informados de que dados de familiares foram consultados de forma irregular.
A Receita Federal identificou indícios de envolvimento de um servidor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), cedido ao órgão e lotado no Rio de Janeiro, na quebra de sigilo. O funcionário já era investigado pela corregedoria da Receita e pela PF por suspeita de vazamento de dados e teria acessado sistemas de forma irregular, repassando informações a terceiros.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, um robô foi utilizado para levantar acessos e identificar a quebra de sigilo envolvendo ministros e familiares, atingindo dados de mais de 100 pessoas.
O ministro Alexandre de Moraes determinou medidas cautelares contra os investigados, incluindo afastamento das funções públicas, proibição de acesso aos sistemas da Receita, uso de tornozeleira eletrônica, quebra de sigilos e cancelamento de passaportes.
Moraes já havia determinado que a Receita rastreasse qualquer consulta ou tentativa de acesso a dados de ministros do STF, assim como de esposas, filhos, irmãos e ascendentes, no âmbito do inquérito das fake news, que apura ataques coordenados contra integrantes da Corte nas redes sociais.