'A balança pende para o lado da Rússia', afirma analista sobre negociações na Suíça
Especialista aponta que contexto militar e político favorece Moscou nas conversas com EUA e Ucrânia em Genebra.
O primeiro dia de negociações entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia foi realizado nesta terça-feira (17), em Genebra, sob um cenário geopolítico e militar considerado favorável a Moscou. Segundo Nydia Egremy, especialista em relações internacionais, a Rússia mantém uma postura de diálogo, mas não abre mão de seus interesses estratégicos.
De acordo com a internacionalista da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), o momento das negociações é significativo, pois a Rússia conseguiu contornar sanções ocidentais e sustenta o equilíbrio de poder frente a uma União Europeia (UE) que, segundo ela, tem contribuído para acirrar a crise na Ucrânia. Recentemente, Bruxelas aprovou um empréstimo de € 90 bilhões (R$ 557,2 bilhões) para Kiev, dos quais € 60 bilhões (R$ 371,5 bilhões) serão destinados à defesa.
"Mesmo antes desta nova rodada de negociações, já se sabia que a derrota militar da Ucrânia era uma conclusão inevitável. A própria OTAN sabe que toda a operação militar especial russa é extremamente eficaz", observa Egremy.
Ela ressalta ainda que, desde o encontro entre o presidente russo Vladimir Putin e o então presidente norte-americano Donald Trump no Alasca, em agosto passado, "o Kremlin vem definindo os detalhes e as cláusulas das negociações para garantir que nada aconteça que vá contra os interesses russos".
O diálogo trilateral ocorre em um momento em que o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, "não tem mais margem de manobra, seja militar ou politicamente", pontua a analista.
"O Ocidente em geral sabia, no fundo, que os recursos fornecidos a Kiev foram usados, em grande parte, para esquemas de corrupção interna. Chegou-se a comentar na Casa Branca que a única maneira de pressionar Zelensky a aceitar o plano de paz de Trump seria levantar a questão da corrupção na Ucrânia", completa.