O que está por trás da destituição de Jerí no Peru antes das eleições?
A saída de José Jerí da Presidência coloca o Peru em novo impasse político a dois meses das eleições gerais.
A destituição do presidente do Peru, José Jerí, a apenas dois meses das eleições, acirra a instabilidade política no país, que chega ao oitavo presidente em uma década. O episódio pode impactar diretamente uma campanha eleitoral já marcada por um número recorde de candidatos e pela apatia do eleitorado.
Atualmente, Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, e Keiko Fujimori lideram as pesquisas, embora, segundo o analista político Alejandro Boyco, "liderem mais por inércia do que por popularidade real". O partido Fuerza Popular, comandado por Fujimori, tornou-se um dos principais defensores de Jerí, enquanto López Aliaga foi um dos articuladores da destituição.
"López Aliaga tenta se desvincular da imagem de que partidos de direita apoiaram presidentes impopulares, como Dina Boluarte, e se apresenta como opositor, mesmo com custos internos", avalia Boyco. Já Fujimori aposta nos índices de aprovação que Jerí mantinha.
O analista de opinião pública Enzo Elguera destaca que López Aliaga pode reivindicar o protagonismo na moção de censura, o que pode ser bem visto pela população, em contraste com a postura de Keiko Fujimori. Segundo Elguera, a líder do Fuerza Popular aposta em cerca de 30% do eleitorado.
"Tudo foi calculado politicamente, tanto por quem apoiou quanto por quem se opôs à destituição", conclui Elguera. Para ele, as acusações e o processo de afastamento de Jerí serviram para dar visibilidade a candidatos presidenciais e ao próximo Congresso.