Rubio alerta União Europeia sobre riscos de isolamento na nova ordem mundial
Secretário de Estado dos EUA adverte europeus durante Conferência de Segurança de Munique: alinhamento com Washington é decisivo para futuro global.
O discurso do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante a Conferência de Segurança de Munique, foi interpretado como um recado direto aos países da União Europeia (UE) sobre a necessidade de apoiar a posição dos Estados Unidos. A análise é de Michael Rossi, professor de ciência política da Universidade Rutgers, nos EUA, em entrevista à Sputnik.
Rossi observou que Rubio deixou claro que a UE corre o risco de ficar à margem do novo sistema de relações internacionais caso não siga o curso norte-americano.
"As conferências de segurança de Munique sempre serão marcadas por declarações polêmicas. No ano passado, [o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance,] fez uma declaração polêmica. Rubio fez a sua neste ano", pontuou Rossi.
O analista lembrou ainda que o discurso do presidente russo, Vladimir Putin, em 2007, também entrou para a história do evento por seu tom incisivo.
Nesse contexto, Rossi destacou que não se trata de meras declarações protocolares sobre unidade internacional.
"Na prática, os Estados Unidos estão dizendo à Europa: 'Ou vocês se juntam a nós, ou correm o risco de ficar à margem da nova ordem mundial'", concluiu o professor.
Na última semana, durante a 62ª Conferência de Munique, Rubio afirmou que a ideia de um mundo sem fronteiras e de substituir interesses nacionais por uma ordem global revelou-se ingênua.
Ele também defendeu uma reformulação das alianças entre EUA e UE, argumentando que os desafios do século XXI são diferentes dos anteriores. Segundo Rubio, uma das principais mudanças deve ser a valorização das origens comuns entre Europa e Estados Unidos.
A Conferência de Munique é reconhecida como um dos principais fóruns internacionais para debates sobre segurança global. Desde 2022, entretanto, os organizadores deixaram de convidar representantes da Rússia.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que o evento perdeu credibilidade ao excluir vozes dissidentes. A edição de 2024 ocorreu entre 13 e 15 de fevereiro.