GEOPOLÍTICA

Teerã aposta em oferta bilionária para destravar negociações nucleares com os EUA, diz mídia

Proposta iraniana busca atrair empresas dos EUA com acesso a petróleo e minerais, mas enfrenta desconfiança e resistências políticas.

Publicado em 18/02/2026 às 08:12
Negociadores iranianos oferecem acesso a petróleo e minerais para destravar acordo nuclear com os EUA. © AP Photo / Michael Gruber

Teerã tenta transformar as negociações nucleares em Genebra em uma proposta de caráter econômico, oferecendo acesso às suas vastas reservas de petróleo, gás e minerais como incentivo para os Estados Unidos.

Segundo o South China Morning Post, a estratégia iraniana visa apresentar um eventual acordo não apenas como um pacto de segurança, mas como uma oportunidade comercial bilionária para empresas norte-americanas.

Analistas ouvidos pela mídia asiática afirmam que a abordagem dialoga com o estilo de negociação do presidente norte-americano Donald Trump, embora ressaltem que a profunda desconfiança mútua e a oposição política interna em ambos os países tornam o sucesso incerto. Para autoridades iranianas, a durabilidade de qualquer acordo depende de benefícios econômicos concretos também para Washington.

O discurso sobre uma "oportunidade de um trilhão de dólares" não é novo, mas seu retorno sinaliza a insistência iraniana em manter o enquadramento econômico no centro das conversas. Após quatro horas de consultas indiretas mediadas por Omã, negociadores relataram avanços em princípios orientadores, ainda que sem um roteiro definido.

A perspectiva norte-americana, contudo, é mais cautelosa. O vice-presidente J.D. Vance afirmou que houve progresso, mas destacou que Teerã ainda não aceitou certas "linhas vermelhas" estabelecidas por Trump. Apesar disso, especialistas reconhecem que a ênfase econômica contribui para um ambiente mais favorável às negociações.

O argumento iraniano se apoia em recursos naturais expressivos, porém subdesenvolvidos. O país possui a segunda maior reserva de gás natural do mundo e a quarta maior de petróleo, além de grandes reservas minerais, como zinco, cobre, ferro e lítio. Teerã tenta atrair capital estrangeiro oferecendo contratos mais lucrativos e taxas de retorno elevadas.

Propostas anteriores sugeriam que os EUA pudessem liberar exportações seletivas para o Irã, especialmente em setores como aviação e agricultura, sem suspender as principais sanções. Também estimavam que subsidiárias estrangeiras de empresas norte-americanas pudessem acessar trilhões em oportunidades de investimento até 2040.

A motivação iraniana é reforçada por uma crise econômica prolongada, marcada por inflação alta, desvalorização da moeda e estagnação. Analistas afirmam que Teerã vê um acordo como essencial para evitar novos protestos e possíveis ameaças à estabilidade interna. Ao mesmo tempo, permitir a entrada de empresas norte-americanas no setor energético representa uma mudança significativa em relação ao histórico temor de "infiltração cultural".

Ainda assim, especialistas apontam obstáculos por parte dos EUA. A confiança entre os governos é baixa, e é improvável que empresas americanas ingressem rapidamente no mercado iraniano. Além disso, a proposta econômica enfrenta resistência dentro do próprio governo Trump, marcado por figuras hostis ao Irã.

Paralelamente, atores influentes — como o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o lobby israelense no Congresso — devem pressionar contra qualquer acordo, mesmo que ele ofereça benefícios econômicos aos EUA, conclui a apuração.

Por Sputnik Brasil