CARNAVAL 2026

Desfiles no Rio celebram religiões afro-cubanas, Heitor dos Prazeres, manguebeat e Rosa Magalhães

Terceira noite do Grupo Especial exalta ancestralidade, cultura popular e grandes nomes da história do samba

Publicado em 18/02/2026 às 08:27
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O terceiro dia de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, realizado nesta terça-feira (17), foi marcado por homenagens às religiões de matriz africana, à trajetória de Heitor dos Prazeres, ao movimento manguebeat e ao legado da carnavalesca Rosa Magalhães.

A Paraíso do Tuiuti abriu a noite na Marquês de Sapucaí com o samba-enredo "Lonã Ifá Lucumí", abordando uma vertente religiosa afro-cubana que se consolidou no Rio de Janeiro. A escola apresentou a jornada milenar do Ifá Lucumí, oráculo sagrado de Orunmila, desde Ilé Ifé, na África Ocidental, até o Brasil, destacando a união entre Brasil e Cuba e promovendo uma reflexão sobre respeito e história. O enredo, inspirado em livro de Nei Lopes, contou com a participação do próprio autor no desfile. A apresentação teve concepção do carnavalesco Jack Vasconcelos e samba puxado por Pixulé, com a bateria comandada por mestre Marcão. Neste ano, a Tuiuti desfilou com 25 alas, cinco carros alegóricos, um tripé e 3.100 componentes.

A Unidos de Vila Isabel foi a segunda a desfilar, levando o enredo "Macumbembê, Samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África", em homenagem ao multiartista Heitor dos Prazeres. Pioneiro do samba, Heitor nunca havia sido tema de enredo no Grupo Especial. O desfile destacou a Pequena África carioca e contou com a participação de Martinho da Vila, presidente de honra da escola, representando o tio de Heitor, e de Sabrina Sato, rainha de bateria, em fantasia alusiva à aquarela do artista. A Vila Isabel, fundada em 1946 e tricampeã do Grupo Especial, levou para a avenida 27 alas, cinco carros, três tripés e 3.000 componentes.

Na sequência, a Acadêmicos do Grande Rio homenageou o movimento cultural manguebeat, surgido em Pernambuco nos anos 1990, com o enredo "A Nação do Mangue". A proposta do carnavalesco Antônio Gonzaga abordou a estética híbrida, crítica social e contracultura do movimento, contando com 24 alas, cinco carros alegóricos, três tripés e 3.200 componentes. Entre os destaques, a participação de Louise França, filha de Chico Science, e a estreia de Virgínia Fonseca como rainha de bateria, que foi calorosamente recebida pelo público.

Encerrando a noite, o Salgueiro apresentou "A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau", um tributo à professora e lendária carnavalesca Rosa Magalhães, maior campeã da história da Sapucaí, falecida em 2023. A escola levou para a Sapucaí 28 alas, cinco carros, dois tripés e 3.200 componentes, celebrando a carreira de Rosa, que conquistou sete títulos no carnaval carioca e teve participação marcante nas cerimônias dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Viviane Araújo, rainha de bateria, desfilou em um tripé representando um navio, completando 18 anos à frente da "Furiosa".

Apuração e desfile das campeãs

A campeã do carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro será conhecida na tarde da Quarta-feira de Cinzas (18), com início da apuração previsto para as 15h. O desfile das campeãs está marcado para o sábado (21), reunindo as seis melhores colocadas deste ano.