INTERNACIONAL

Familiares de presos políticos fazem greve de fome em Caracas

Mulheres protestam por libertação de detidos em meio a impasse sobre lei de anistia

Publicado em 18/02/2026 às 10:22
Mulheres fazem greve de fome em Caracas por libertação de presos políticos na Venezuela.

Um grupo de mulheres, familiares de presos políticos venezuelanos, completou 96 horas em greve de fome nos arredores de uma unidade policial em Caracas, exigindo a libertação dos detidos.

Das dez mulheres que iniciaram o protesto às 6h do sábado (14), uma chegou a desmaiar na segunda-feira e precisou ser levada de táxi ao hospital, devido à indisponibilidade de ambulâncias, segundo informou à agência EFE o ativista Diego Casanova, membro da ONG Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos.

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Pela rede social X, a ONG alertou que "a indiferença e a falta de respostas do Estado continuam a colocar em grave risco a vida e a integridade dessas mulheres e dos presos políticos que também mantêm a greve de fome" dentro da delegacia da Polícia Nacional Bolivariana, conhecida como Zona 7.

O grupo de detidos iniciou a greve na sexta-feira (13) e já está "há mais de 120 horas nesta medida extrema de protesto", informou a ONG, que denunciou, ainda na segunda-feira, que policiais impediram a entrada de soro para os presos, sem apresentar justificativa.

No local do protesto, há um pequeno quadro informativo sobre o tempo da greve das mulheres e uma faixa com a inscrição "Liberdade para todos".

As manifestantes, com idades entre 23 e 46 anos, permanecem deitadas sobre colchões.

Dez mulheres em greve de fome pedem a libertação de seus familiares em Caracas. - Reuters/Gaby Oraa/Proibida reprodução

A ONG explicou que a greve ocorre devido ao "descumprimento" do presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, que prometera em 6 de fevereiro a libertação de "todos" os presos políticos assim que a lei de anistia fosse aprovada, expectativa que ele afirmou se concretizaria "o mais tardar" na sexta-feira.

No sábado, 17 detidos foram libertados na Zona 7, segundo o presidente do Parlamento.

O processo de libertação e a discussão sobre a anistia acontecem em um "novo momento político" anunciado pela presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após os Estados Unidos terem sequestrado o presidente Nicolás Maduro em uma operação militar em Caracas, em janeiro.