CRISE NO SISTEMA FINANCEIRO

Liquidação do Banco Pleno eleva déficit do FGC para mais de R$ 50 bilhões

Com nova intervenção, Fundo Garantidor de Crédito amplia esforço para ressarcir credores de bancos em liquidação.

Publicado em 18/02/2026 às 10:16
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno fará com que o "rombo" do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ultrapasse a marca de R$ 50 bilhões, somando-se aos processos de reembolso dos credores do Master e do Will Bank. Em comunicado divulgado após o anúncio do Banco Central (BC), o FGC informou que o Pleno possuía uma base estimada de 160 mil credores elegíveis ao pagamento de garantia, totalizando R$ 4,9 bilhões.

Esse valor se soma aos R$ 40,6 bilhões de investidores do Master e aos R$ 6,3 bilhões dos clientes do Will Bank, atingindo um total de R$ 51,8 bilhões.

A cifra não inclui as linhas emergenciais mobilizadas pelo FGC ao longo do ano passado, quando os problemas de liquidez do conglomerado Master se tornaram mais evidentes.

De acordo com dados recentes, o FGC detinha cerca de R$ 160 bilhões em patrimônio, dos quais aproximadamente R$ 125 bilhões estavam disponíveis para uso imediato.

Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada, o Conselho do Fundo aprovou um plano de recomposição que prevê o adiantamento inicial do equivalente a cinco anos de contribuição pelos bancos. Em 2027, haveria mais uma antecipação de 12 meses de repasses e, em 2028, outros 12 meses, totalizando sete anos de contribuições antecipadas.

O plano também prevê um aumento extraordinário de 30% a 60% no valor pago mensalmente pelas instituições ao FGC, segundo fonte a par das discussões. Os bancos ainda buscam a possibilidade de redirecionar recursos de compulsórios bancários para ajudar na reconstrução do Fundo, proposta que depende de aval do Banco Central, ainda sem manifestação oficial.

Até a semana passada, o FGC já havia pago R$ 37 bilhões em garantias aos credores do Master, mais de 90% do total devido.

O Fundo também decidiu antecipar o pagamento a investidores do Will Bank com até R$ 1 mil a receber, ao custo de R$ 200 milhões.

Os demais investidores terão que aguardar a consolidação da base total de credores pelo liquidante. O Will Bank integrava o conglomerado do Master, mas teve a liquidação decretada apenas em janeiro.

O Pleno havia sido vendido em 2025 para um ex-sócio do Master e, portanto, já não fazia mais parte do grupo.