ARQUEOLOGIA MARÍTIMA

Cerâmica de naufrágio do século XIV revela passado comercial de Singapura

Descoberta de milhares de peças de porcelana e cerâmica em naufrágio indica papel central de Temasek nas rotas comerciais asiáticas do século XIV.

Publicado em 18/02/2026 às 11:19
Porcelana azul e branca do século XIV reforça papel de Temasek como porto comercial em Singapura. © Sputnik / Anton Denisov

Uma escavação marítima realizada ao longo de quatro anos nas águas de Singapura revelou o naufrágio mais antigo já identificado na região: o chamado Naufrágio do Temasek, datado entre 1340 e 1352. A descoberta lança luz sobre o intenso movimento comercial que ocorria no porto de Temasek no século XIV, conforme destaca a revista Archaeology News.

Segundo a publicação, Temasek era, à época, um importante entreposto que conectava rotas comerciais regionais e internacionais.

Prato pequeno de porcelana azul e branca com uma fênix no centro e faixa decorativa de crisântemos na borda.
Prato pequeno de porcelana azul e branca com uma fênix no centro e faixa decorativa de crisântemos na borda.

"Entre 2016 e 2019, os arqueólogos recuperaram cerca de 3,5 toneladas de cerâmica do fundo do mar. A maior parte do material consiste em fragmentos quebrados, mas a equipe também resgatou um pequeno número de peças intactas ou quase intactas", relata a revista.

O carregamento inclui aproximadamente 136 kg de porcelana azul e branca de Jingdezhen, a maior quantidade já registrada em um naufrágio documentado.

Entre os artefatos, destacam-se ainda celadon de Longquan, cerâmica qingbai, cerâmica branca de Dehua, cerâmica verde dos fornos de Fujian e jarros de grés marrom de Cizao.

A análise dos estilos decorativos, das origens dos fornos e das histórias de produção indica que a última viagem do navio ocorreu em meados do século XIV, durante a dinastia Yuan.

Entre os motivos encontrados, estão patos-mandarins em lagos de lótus, produzidos em um breve período anterior a uma fase de instabilidade política.

Os padrões de comércio e o tipo da carga sugerem que a embarcação era um junco chinês, carregado em Quanzhou, transportando louças de luxo e jarros para armazenamento de mercadorias a granel.

Garrafa intacta com gargalo flangeado durante o processo de limpeza.
Garrafa intacta com gargalo flangeado durante o processo de limpeza.

As cerâmicas recuperadas são compatíveis com fragmentos encontrados em sítios arqueológicos de Singapura, especialmente travessas com menos de 35 centímetros, indicando que o destino final seria Temasek, e não o Oceano Índico.

Esse achado oferece uma referência datada para mercadorias comerciais da dinastia Yuan no Sudeste Asiático.

O artigo conclui que as várias toneladas de cerâmicas de alta qualidade encontradas nos destroços confirmam que, antes da colonização, Singapura era um porto ativo e integrado às redes regionais, e não apenas uma vila de pescadores.

Por Sputnik Brasil