NEGOCIAÇÕES INTERNACIONAIS

Petrobras pode retornar à Venezuela após possível acordo sobre dívida

Governo brasileiro avalia trocar dívida venezuelana por participação em ativos do setor de petróleo e gás.

Publicado em 18/02/2026 às 12:13
Petrobras pode negociar retorno à Venezuela em troca de dívida por ativos no setor petrolífero.

A Petrobras pode voltar a atuar no mercado venezuelano caso seja firmado um acordo para converter a dívida de Caracas com Brasília em participação em ativos do setor de petróleo e gás, conforme informou a agência Brasil 247.

Segundo informações divulgadas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda alternativas para viabilizar o retorno da Petrobras à Venezuela, incluindo a possibilidade de transformar a dívida do país vizinho com o Brasil em ativos no setor energético.

A dívida em questão soma US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9,37 bilhões), referente a financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos últimos dez anos e que não foram quitados por Caracas.

"Diante das perspectivas consideradas remotas de quitação no curto prazo, integrantes do governo avaliam a troca do passivo por participações acionárias em ativos estratégicos no setor energético venezuelano", destaca a publicação.

De acordo com outras fontes citadas, o presidente Lula deve tratar do tema com o presidente norte-americano Donald Trump em uma reunião prevista para março.

O objetivo é obter o aval dos Estados Unidos para que a estatal brasileira retome operações de exploração e produção em território venezuelano, especialmente após o episódio envolvendo o sequestro de Nicolás Maduro pelas autoridades norte-americanas no mês passado.

Entre as áreas de maior interesse para a Petrobras estão a produção de petróleo leve no lago Maracaibo, a extração de petróleo pesado na bacia do Orinoco e a recuperação de refinarias venezuelanas atualmente degradadas.

A presença internacional da Petrobras foi significativamente reduzida durante as gestões dos ex-presidentes Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), períodos em que a empresa promoveu a venda de ativos no exterior.

No primeiro mandato de Lula, a estatal retomou a estratégia de internacionalização e enviou equipes técnicas para analisar oportunidades em países como Venezuela, Suriname, Guiana, Colômbia, Namíbia e Angola entre 2023 e 2024.

Por Sputnik Brasil